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sábado, março 08, 2008

Spontaneous writing

If I stare, I will fall
If you let, I will love
If you're there, I will reach
If we're here, we will be

terça-feira, janeiro 16, 2007

Tudo o que faço ou medito...

Um poema...
daqueles que memorizamos de tantas vezes o lermos
daqueles em que choramos ao ler o primeiro verso.

Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.

Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço -

Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.

Fernando Pessoa

sábado, setembro 02, 2006

Devaneios patetas

habituei-me ao cheiro da cebola nas mãos
já espremi limão entre os dedos e tentei eliminar o cheiro
confesso que não o fiz com muita convicção
de modo que o cheiro permaneceu
por isso habituei-me
julgo que até sinto um certo gozo em cheirar este aroma ácido
doentio? ridículo? não sei
julgo que a habituação nos leva a estas atitudes
habituação que poderá ter como sinónimos conformismo e preguiça
é isto que me move
ou melhor dizendo que não me move

01.09.06




[Não ia publicar esta patetice, mas como não havia nada mais que me incentivasse a uma actualização ao blog, cá ficou este pedaço de escrita, graças à insistência do colega blogger Rock rola em Barcelos que pergunta sempre por novidades :)
Em relação às actualizações ao blog, não sei se repararam que adicionei as "Leituras Recentes" (novamente). Estejam à vontade para comentar, tanto a patetice como o livro, se por acaso já o leram; eu vou a caminho de o finalizar (ainda falta...).]

quarta-feira, julho 26, 2006

Soneto a Antero de Quental

Antero de Quental, o sonetista,
Obrigou-se às regras do soneto,
Compondo sempre e mais um quarteto
Tal filósofo e idealista

Que avança em busca da Razão,
Sobrepondo-se às dificuldades,
Confiando nas suas faculdades,
Intentando chegar à perfeição

Conseguindo por essa forma clássica,
Aliando inspiração fantástica
A um talento que lhe foi inato,

Disciplinar a personalidade
Que ficará na perpetuidade
Memorizada em cada soneto


Construído a 24.10.05, a 03.11.05 e a 08.11.05.


[Tentativa... Sugestão da professora de Português A que o corrigiu.

Muitas falhas na estrutura do soneto.
E a meu ver, pouco conteúdo.
Mas afinal de contas, foi o meu primeiro.]

terça-feira, outubro 18, 2005

Poema

Já lhe falei
Mas não compreendeu
Repeti, expliquei
Mas não percebeu

Não sei o que fazer
Não sei o que dizer

Mas insistiu em saber
E eu mais palavras não sabia
Para lhe poder dizer
O que não percebia

A pequena era persistente
Mas o que podia eu fazer
O amor é algo que se sente
E não há palavras que o possam descrever




Porque gosto de recordar e acho engraçado o que se deixa escrito com 12 anos.

quarta-feira, junho 15, 2005

A espera

Uma camisola colorida
Umas calças confortáveis
Dois pés de meias frios
Uma mão quente outra fria
Olhos cansados expectantes

Os óculos repousam no nariz
A boca fina mais pequena ainda
Bochechas trincadas por dentro
Movimentos parados

Uma música vibrante
No coração a bater
Um peito que sobe e desce
Acompanhado da barriga
As pernas cruzadas
E os ombros caídos

Olhos abertos caminhantes
Dedos separados impacientando
Movimentos de silêncio
Parados na espera de escrever

quarta-feira, maio 25, 2005

Cansaço


(olhares.com)

"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço. (...)"

Álvaro de Campos

quinta-feira, abril 28, 2005

Dimensões

Um ímpeto move-me à escrita
E dele alimento a caneta
Até que os olhos se perdem
No imenso branco do papel

Vagueiam perdidos no pensamento
Alheados do brusco sentir exterior
Que anestesia fortemente a alma
Tal é o choque do subtil com o real

Um real indefinido a todos
Porque vive de si para si
Reflecte-se em si mesmo
E a dimensão torna-se outra

O choque é então ilusão
Não chega a existir
Porque os diferentes reais
Jamais se encontrarão

Vivo assim num despertar
E adormecer ilusório
O exterior não existe em mim
Só o interior me engole

É o exterior ilusão?
Como é ilusão o choque de reais?
Do meu real com o real em si
Que é real e ninguém conhece

27-04-05

sábado, abril 02, 2005

Tentativa falhada

Hoje quero ser escritora
Assim na noite calada
Que não é tão calada assim

Envolvida na música de piano
Tentando alhear-me ao ritmo da casa
Tento penetrar no mundo das palavras

É como adormecer
E acordar noutra dimensão:
A dimensão palavrada

A passagem é difícil:
O adormecer demora
E o acordar pouco acontece

É preciso ser consciente
Não deixar fluir o espírito
Não sair do corpo pensante

As emoções não escrevem
Escrevem-se emoções
De mão rija e não solta

De pensamento pensado
Porque divagado é sentido
Alia-se às emoções

Quero que esse repouse
No canto ameno do sono
Envolvido na névoa sentida

Porque não quero mais aquelas
Aquelas palavras descoordenadas
Sem nexo, com emoção em demasia

Enjoei, cansei e desisti
Porque queria ser escritora
À noite quando desperta o coração

sábado, março 26, 2005

Dejà vu

Julguei-te
E perdi-me
Na imensidão do teu olhar

Calei-te
E sofri
Com o teu silêncio prolongado

Engasguei-me
Comi palavras
E esqueci outras

Rodei
Sem preocupação

Insultei
Gritei
Desmedidamente

E fugi

Em mim
De mim
Tudo era eu

Não gostei
Mas fiz
Detestei
Mas repeti

E não te ouvi
E calei-te
E ousei julgar

Acusei-te
E não aceitei
As tuas palavras
Porque eram soltas
Porque magoavam

Esqueci
Beijei
E passei

Mas repeti...

Desculpa

É repetido
É cansativo

Mas a rua
O contacto
Tudo me droga lá fora

sexta-feira, março 25, 2005

Noite de Luxúria

Hoje quero beijos!
Dói-me a garganta
Mas berro.
A água secou
E o sorriso abriu.
As portas abertas
Deixam a luz entrar.

Já me vês?
Sim!
Sim, sim, sim...

Estou aqui!
Berro, berro e berro.

De veste branca,
Transparente e suave
Me apresento a ti.

Eu sempre danço!
Vês-me? É só para ti!

Beija-me!
Agarra-me!
Leva-me!

Estou aqui!
Para ti!
Para ti!

Quero tanto,
Mas tanto
Sentir as tuas mãos.

Percorre-me...
Vá! Eu já deixo...
Sou para ti...

Só por hoje
Porque é noite de luxúria....

segunda-feira, março 21, 2005

Só de emoção

Diz que me amas!

Não é bem isso que quero ouvir
Mas diz que gostas de mim!

Diz-lo com convicção
Diz-lo para eu acreditar
Diz-lo vezes sem conta

De maneiras diferentes
Faz-me crer que tu
Tu me amas

Não é amar
É gostar

Mas diz-mo!
Queria tanto ouvi-lo...
Não! Quero!
Agora, neste instante!

E é neste instante
Em que não estás
E é neste instante
Que preciso

E preciso tanto...

Mas são das palavras
Dessas letras coladas
Que tanto preciso?

Não sei...

Quero uma palavra
Que me beije

Beija-me!

Com ardor, paixão
Esquece o amor!
Não existe....

Ama-me de paixão
E esquece o sentimento

Ama-me só de emoção
E mais não peço
E mais nem sequer quero

Ama-me de emoção
E esquece o sentimento!

segunda-feira, março 14, 2005

A criança que fui chora na estrada...

A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.

Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.

Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,

Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E ao ver-me, tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.

Fernando Pessoa

[A lágrima quase espreitou mal li a primeira quadra. Adoro este poema! Diz-me tanto...]

quarta-feira, março 02, 2005

Selvagismo do ser

Sou selvagem do meu mais profundo ser
A primitividade habita em mim
Sorrateira, duma estranha inteligência,
Como um pequeno engenho programado

Ao mínimo ruído mal captado desperta
Soltando ondas de calor e agitação
Percorrendo o caminho que se lhe depara
Até encontrar um meio de fuga

Escapando de uma matéria densa
Lança-se numa forte brusquidão
Como se de um sufoco apertado
Se tentasse libertar

Contorce-se e vocifera
Como se de mão atadas se encontrasse
Impossiblitada de atingir por actos
Necessitada de praguejar e gritar

Os olhos espelham cólera
E os lábios são mordidos
Por uma irritação profunda
Pela incapacidade de atingir

Mas eis que a fúria se acalma...

De imediato, toma conhecimento
Que as suas palavras foram fortes
Para atingirem e criarem danos
Em todo o seu maldito redor

Apercebe-se dos efeitos causados
E delicia-se com o caos provocado
Ri silenciosa e maliciosamente
E goza, agora, baixinho...

Satisfez os seus caprichos
Mesquinhos e maldosos
Fica completamente saciada
E não oferece resistência

Deixa-se engolir pela carne
De encontro ao seu antro
Pronta para hibernar levemente
Atenta a outra faísca atraente

“Deixo-te a ti as questões,
oh corpo inútil!”
Resmunga ela
Enquanto mergulha...

segunda-feira, fevereiro 28, 2005

No dia um

Está demasiado calmo para escrever,
Escrever da forma que o tenho feito:
Com todos aqueles lamentos,
Todas aquelas lágrimas engolidas,
Aquelas feridas abertas e aquela dor...

As palavras soam-me tão estranhas
Tão distantes, sem sentido...
Os meus dedos tentam alcançá-las
Porém, o esforço perde-se no ar
E os dedos acabam por desistir.

Não sei escrever palavras bonitas
Como aquelas que se gostam de ler
Ou aquelas que obrigam a repensar

Essas palavras não as encontro
Para paz interior e finais felizes,
Apenas para desespero da falta
Dessas emoções a atingir...

Ouço as gargalhadas dos que conversam,
O galope desenfreado da cadela...

01 de Janeiro de 2005

[Encontrava-me, nesta altura, numa aldeia ecológica. O ar era tão puro, o verde tão bonito, as montanhas inspiradoras e uma calma pairava em mim. O yoga, a dança e a meditação eram práticas correntes o que conferia uma paz (ainda que momentânea) de espiríto. Passei lá apenas uma noite e uma tarde, mas adorei a experiência. Foi, com certeza, a melhor passagem de ano que já tive oportunidade de experienciar.]

domingo, fevereiro 27, 2005

The Chains of Our Mind

It seems what makes us happy
Is what we wanted to have
It seems our present happiness
Has its place in the past

It seems we don’t seek the future
But we regret what it’s gone
And we don’t live the present
Trapped with all these thoughts

We go round and round…
Staying always in the same place
We don’t seem to find a way
To get free from these chains

16th January 2005

quinta-feira, fevereiro 10, 2005

Mergulhar

*

Sustenho a respiração
E mergulho...

Cansei-me do calor.

Quero algo fresco...
Preciso despertar!

Estendo os braços
E puxo-os para trás
Com toda a força que tenho.

Bato os pés energicamente
Para sentir os ossos estalar.

Preciso esticar o corpo.

Fecho os olhos
E deixo-me deslizar...
Sinto a agua fria
Moldar a minha cara.

Ah...! Arrefeço...

Encolho-me...
E deixo-me rolar
Ao sabor da àgua.

Sinto um turbilhão de sensações
Percorrer todo o meu corpo.
Mil imagens correm na minha mente.

Ah...! Sinto-me viva.

A frescura trespassa o corpo
E toca-me o espírito.

Agora posso sorrir...
* fotografia por Ricardo B. Gomes (olhares.com)

sexta-feira, janeiro 21, 2005

Despreendimento

Hoje vou tentar escrever algo feliz
Algo com um sabor doce e uma cor alegre
Deixo para trás, por hoje, o preto e branco
Deixo para trás lamúrios, choros e gritos

Esboço um sorriso para que seja mais fácil
Respiro fundo para sentir o que me rodeia
Fecho os olhos e inclino a cabeça para trás
Tento relaxar deste stress diário fatigante

Agora estou pronta para começar a escrita
Mas não sei o que sinto nem o que penso
Que posso eu escrever com esta indefinição?
Tento recordar... esforço-me por relembrar!

Um cheiro morno passa por meu nariz
Um sol quente aquece a minha face branca
Sinto-me a ganhar cor e a ficar com calor
Dispo instintivamente o casaquinho que trago

Sinto a brisa que brincava com meus cabelos
E, agora, vejo o verde da relva nos meus pés
Estou descalça e ela é macia e faz cócegas
E as flores dão cor a esta tela de sensações

Decido sentar-me nesta almofada natural
Banhada por esta luz suave e, agora, morna
Fecho os olhos, mole por todo este descanso
Passo os dedos pelas pétalas e pela relva

Sinto-me a subir...levada pela brisa morna
Deitada, com a cabeça nos braços recolhidos
Abro os olhos e vejo as nuvens de algodão
Sinto-me calma naquela imensa suavidade

Sinto-me a pairar sem o peso do corpo
Que fui obrigada a carregar quando nasci
Sinto-me, então, leve e livre de tentações
Deixo-me ir por onde me leva esta brisa

Não quero descer, não quero voltar
A terra já acho que conheço demasiado
O pó que me cega e me sufoca deixo-o lá
Lá em baixo onde a carne ficou sem mim

Agora sou só eu aqui neste ar diferente
Respiro um ar puro que nunca respirei
Não preciso beliscar-me, nem tocar-me
Sei que sou... Não é sonho...

Por isso, não receio acordar para a terra
Sei que estou desperta, mais que nunca
A anestesia do corpo deixei-a para trás
Sinto, agora, o despertar do espírito

Quero ir...

Não receio deixar tudo para trás
O mundo material em que vivi
O que me importa vem comigo
Vem em mim, faz parte de mim

Agora vou...

terça-feira, janeiro 18, 2005

Incapacity

I try to express my thoughts
But I usually fail
I mix the words
And I find no trail

Then I try not to think
And just try to feel
To write the words
That can make me heal

But in this path
Foggy and uncertain
I find my wounds
Open, breathing pain

And so I just quit
Tired of this confusion
I leave my bruises
To a better surgeon

2nd January 2005

P.S. Prefiro o português para me exprimir, no entanto, decidi fazer post deste poema porque foi o primeiro que fiz em inglês.

segunda-feira, janeiro 10, 2005

Caminho

Há em mim um sufoco
Um desespero calado
Um caminho oco
Enfim, apagado...

Um destino sem traço
Com pés descalços
Um caminho sem passo
Por tantos precalços

Um medo envolvente
Tão medonho, tão frio
Tão temido, tão presente
Tão gélido como é o rio

E, assim me envolve
Num fechar cerrado
Que, por vezes, volve
O que não devia ser encontrado

25 de Novembro de 2004

Este poema ainda é do tempo em que escrevia poesia, por vezes, exageradamente. Não sei porque ficou guardado. Já não me lembro da altura em que o escrevi, mas sei que continua a aplicar-se a este presente. Não sei que mais dele dizer... saiu-me assim e assim ficou. Enfim... as palavras foram ditas.