sábado, fevereiro 02, 2008
Alma de Pássaro
Margarida Rebelo Pinto
sexta-feira, fevereiro 01, 2008
No perfect woman
Sei-o. Não quero ser a tua mulher perfeita. Não quero ser a tal. Porque não há pessoas ideais, há ideias de pessoas. E eu sou eu própria e não uma ideia tua. Não controlas o meu ser e por isso eu posso ser imprevisível. E não, não quero ser a tua ilusão porque não quero ser uma desilusão.
24 de Novembro de 2007
quinta-feira, janeiro 31, 2008
One night she said
Deixa-me ser tua. Deixa-me gostar de ti como quero. Mas não me faças chorar. Estou tão cansada de estar triste. (...)
Que saudades, meu... nada meu. Tuas. Que saudades de ti. (...)
Preciso da emoção do teu abraço. Encontra-te comigo. Encontra-te em mim.
Não mais te quero esquecer.
Adoro-te.
C.
[Cheira-me que este blogue terá (já está a ter) um rumo que nunca teve. Nunca tive intenção de escrever textos com este teor e muito menos de os publicar num blogue. Julgava demasiado banal e nada a ver comigo. Porém, o que me apetece escrever é isto. Histórias, personagens, emoções. Apetece-me inventar o mundo em palavras doces e amargas sobre um tema banal, algo comum de todos os dias e de todas as pessoas. Apetece-me narrar e estou a gostar.]
terça-feira, janeiro 29, 2008
Next!
Não vos vou falar do livro que li se é com isso que contam. O que eu quero dizer é que com tal entusiasmo penso ter começado a recuperar o meu ritmo de leitura. O meu... o que penso ser o meu ritmo que quando era criança é que lia bastante, depois não sei o que se passou nesta minha jornada que deixei ficar os livros nas prateleiras.
Não quero criar expectativas. Da última vez que julguei ter apanhado esse ritmo tão desejado vi a minha lista de livros por ler ficar igual com o passar dos meses. Assim, vou lendo enquanto ler for a minha vontade.
Caminho a passo acelerado, como sempre, da cozinha para a sala em direcção ao meu quarto. Detenho-me antes do corredor e vou antes à biblioteca cá de casa. Acendo umas quantas luzes para uma boa visibilidade, sento-me no chão e procuro um novo livro. Outro conjunto de folhas envolto numa capa que me permita continuar o meu ritmo, que me cative os sentidos num mundo que não é o meu e o é ao mesmo tempo. Continuo envolta naquela sensação tão boa que é a de vir deliciada de um mundo de palavras de outra pessoa que é tão nosso. E por isso sinto-me tão determinada e motivada a começar a descobrir novas personagens, novos mundos, novas palavras.
Começo por ler os títulos das lombadas. Aqueles que prendem a atenção são retirados das prateleiras e guardados, por momentos, na minha mão. Continuo a ler algumas lombadas e decido-me a ler o resumo do que já escolhi. Um romance policial. O título, curiosamente, o nick de alguém que pensei conhecer. Parece-me bem. Nunca satisfeita com uma primeira escolha sem saber o que mais pode haver, continuo a descobrir mais alguns. Margarida Rebelo Pinto. Autora muito falada. Autora que muito publica. "Nunca li nada dela". Ainda com "Postmortem" de Patricia D. Cornwell na mão, retiro do seu aconchego "Não Há Coincidências". O resumo parece-me interessante. Guardo o outro. Pego em mais um com o segundo a substituir o lugar do primeiro na minha mão. "Sei lá". O resumo não me cativa tanto, pelo menos naquele momento. Há mais um que não peguei porque não gostei do título, mas é o único que resta dela, e já agora. "Alma de Pássaro". Nas costas uma imagem do rosto da autora preenche todo o espaço. O resumo está numa dobra da parte da frente da capa.
Apaixono-me pelas poucas palavras que o resumo deixa revelar do livro. Há tanto ali que quero saber. Há tanta coisa que me bate na pele, nos olhos, no coração. Há uma certeza de aquele livro tem de ser lido agora, nesta altura.
É que há coisas que aparecem no momento certo. Um olhar mais atento e somos capazes de as identificar. E eu pisco-vos o olho e deixo as palavras que me cativaram.
Nunca pensei enganar-me tanto. Mas só agora percebo que o teu amor por mim não foi uma inevitabilidade, mas uma escolha. Alguém que te chamou a atenção e que, um dia, decidiste que querias atravessar, com a intuição certeira de um animal selvagem que procura refúgio temporário, quando está cansado. Sei que não vinhas a fugir de nada, nem à procura de coisa nenhuma. Mas acho que, quando eras pequeno, te arrancaram uma parte de ti, e desde então ficaste incompleto e perdeste, quem sabe talvez para sempre, a capacidade de adormecer nos braços de alguém sem que penses no perigo de ficar na armadilha do carinho para todo o sempre."
segunda-feira, dezembro 24, 2007
sexta-feira, dezembro 07, 2007
Devaneios Narrativos
16 Nov. 07
sábado, dezembro 01, 2007
My Favourite Game
I don't know what you're looking for
you haven't found it baby, that's for sure
You rip me up, you spread me all around
in the dust of the deed of time
And this is not a case of lust, you see
it's not a matter of you versus me
It's fine the way you want me on your own
but in the end it's always me alone
And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my baby
losing my favourite game
I only know what I've been working for
another you so I could love you more
I really thought that I could take you there
but my experiment is not getting us anywhere
I had a vision I could turn you right
a stupid mission and a lethal fight
I should have seen it when my hope was new
my heart is black and my body is blue
And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my baby
losing my favourite game
I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I tried, I tried, (but you're still the same) I tried
I'm losing my baby
you're losing a saviour and a saint
The Cardigans
sábado, novembro 03, 2007
És o meu local errado

Se páras a minha pele cicatriza. Se continuas nesses teus movimentos, a dor em mim é tão grande que deixo de sentir. Acomodo-me à dor, ela deixa de ser e eu julgo já não estar agrafada. Depois tu voltas a parar, e quando retomas esse teu rumo movimentado a minha pele cicatrizada rasga uma vez mais.
O meu desejo é ter os agrafos enferrujados, é tê-los demasiado velhos para se prenderem e a pele demasiado fraca para poder ser presa. É abandonar-me e esperar que rasgues a minha pele de uma só vez. Que eu ao teu lado não sou. Que eu ao teu lado não consigo. Preciso que dês todos os passos para longe de mim. Onde não te cheire, onde não te lembre. Porque tu és o meu local errado.
[imagem: SweetSerenity]
sábado, outubro 27, 2007
Afecto
Era quase meia-noite e o dia estava para acabar. Já deixaria de ser o meu dia. Aquele dia a que todos dão especial importância e o qual, na realidade, pouco siginificado tem. No entanto, havia ainda uma prenda por oferecer. Uma prenda prometida, ainda não cumprida.
Chamei-o. Larguei as folhas que tinha comigo e corri para a casa-de-banho para me preparar. Fiz questão de me vestir de forma provocadora. Usei o vestido que lá ficou da última vez e as meias que ele me ofereceu. Esperava agora pela sua chegada, entre pequenas corridas do quarto para o armário e para a casa-de-banho. A única luz que existia vinha do meu quarto e todo o resto da casa estava mergulhado na penumbra. Não havia preparação. Apenas um corpo quente e um desejo aceso.
A campainha tocou e a voz grave dele no intercomunicador aproximou o momento e aumentou a ansiedade. Subiu e precisou bater à porta porque, ainda na correria, esquecera-me de lha abrir. Rodei a maçaneta e, lentamente e escondendo o corpo atrás da porta, permiti-lhe a entrada. Olhei-o com o sorriso tímido de quem não se encontra totalmente confortável. Olhou-me com o sorriso confiante e satisfeito de quem gosta do que vê, e beijou-me. Prendeu-me em beijos, os dois encostados à porta fechada. Sem palavras, no silêncio da saliva que se partilha entre duas bocas que se desejam.
Não sei quanto tempo passou até ele me puxar pela mão até ao quarto. Entrámos. Eu junto à cama, ele fechando a porta atrás de si. Caí no erro de falar, mas rápido a boca dele abraçou a minha e os nossos corpos caíram na cama. Dois corpos que se queriam ainda antes de se encontrarem. Dois corpos que aos poucos se tocavam, despiam, acariciavam, num êxtase crescente que concretiza a paixão da carne. Esse momento, que eram muitos momentos, criou-se num silêncio que estremecia. No silêncio dos murmúrios, dos olhos fechados, dos corpos quebrados em prazer. Os momentos sofriam metamorfose. Os movimentos amadureciam. Os movimentos de luxúria e os movimentos de carinho. O carinho que passeava na pele, nos sussurros, no abraço dos olhares, de lábios em lábios.
Uma noite. Uma prenda. Poderia ser oferecida em qualquer dia, por qualquer motivo, sem motivo, com o único objectivo de deleitar dois seres que desejam, procuram, satisfazem. Dois seres de paixões. Dois seres de caprichos. E depois, o suor e o odor que desaparecem. E depois, a lembrança que fica. Uma noite que toca onde poucas vezes se sente.
finalizado a 27 de Outbro de 2007
sexta-feira, setembro 28, 2007
Não muito distante
Eu queria mais alegria,
isso é que eu queria,
alegria a correr todo o ano
era só isso que eu queria, mais alegria,
mas não foi, não foi bem, o meu caso
É que eu também já sabia,
eu já sabia,
já sabia qual era o engano
é que eu não tive o que eu queria, quando podia,
e depois, mais alguém, nunca mais
Disse-me um dia, não muito distante
Volta num dia, não muito distante
Quem sentiu o que eu sentia, quando partia,
e partia levando o encanto
Fica a saber que eu choro, por tanta alegria
como eu sei, sei tão bem, e não tive
Disse-me um dia, não muito distante
Volta num dia, não muito distante
e eu disse um dia, não muito distante
Disse-lhe um dia, não muito distante
Madredeus
segunda-feira, setembro 17, 2007
Conclusões tão conclusivas
- Uma merda, portanto. E a merda só serve para adubar. Tal como as cinzas. Faça-se de mim cinzas, então, para que eu tenha um papel a desempenhar no mundo.
sábado, setembro 15, 2007
Atracção
E ali estavas tu, sozinho, encostado à parede a olhar em redor alheadamente para todos os que passavam. O coração dela disparou ao ver-te e sentiu o rubor crescer nas suas faces. Disfarçava, porém. Ou tentava disfarçar. O calor que crescia no seu corpo e a ansiedade que turvava o pensamento eram difíceis de disfarçar.
Passou por ti e tentou exprimir um “olá” imparcial, vulgar. Mas os teus olhos grandes e expressivos a olharem para ela confundiram-na e o seu calor corporal, quase vergonhoso, intensificou-se ainda mais. A tua presença perturbava-a. Ela sabia-o e era impossível negá-lo.
Continuou o seu percurso e fingiu não te ver mais. Afinal, iria estar ocupada. A aula que se seguiria, pouco tardava a começar. Além do mais, estavam imensas pessoas no corredor e ela não se ia entregar à triste figura de furar os espaços livres com o olhar só para te avistar. Contudo, em alguns momentos, não resistia e saciava a sua sede de te observar. Mas rápido desviava o olhar e distraia-se a conversar com outras pessoas.
Esta atracção irresistível por ti tornava-se insuportável. Não queria sentir esta força incontrolável, mas não conseguia resistir-lhe, guiada pelo desejo de te ter, ainda que com o olhar, apenas.
09.10.06
quarta-feira, setembro 12, 2007
Livre do passado
- Não se trata de esquecer. O que importa é aprender a lembrar e, ao mesmo tempo, estar livre do passado. É importante aprender a forma de estar ali, com o morto, e ao mesmo tempo estar aqui, neste lugar, com os vivos.
Lançou-lhe um sorrisinho triste e acrescentou:
- Não é fácil.
Aldous Huxley, in A Ilha
terça-feira, setembro 11, 2007
Only
Fading away
Well you might say
I'm losing focus
Kind drifting into the abstract in terms of how I see myself
Sometimes I think I can see right through myself
Sometimes I think I can see right through myself
Sometimes I think I can see right through myself
Less concerned about fitting into the world
Your world that is
Because it doesn't really matter
(no it doesn't really matter anymore)
None of this really matters anymore
Yes I'm alone but then again I always was
As far back as I can tell
I think maybe it's because
you never were really real to begin with
I just made you up to hurt myself
And it worked.
Yes it did!
[Chorus]
There is no you
There is only me
There is no you
There is only me
There is no fucking you
There is only me
There is no fucking you
There is only me
Only, Only, Only
The tiniest little dot caught my eye
and it turned out to be scab and I had this funny feeling
Like I just knew it was something bad
I just couldn't leave it alone, picking at that scab
Was a doorway trying to seal itself shut
But I climbed through
Now I am somewhere I am not supposed to be,
and I can see things I knew I really Shouldn't see
And now I know why (yea now I know why)
Things aren't as pretty
On the inside
Nine Inch Nails
segunda-feira, setembro 10, 2007
sábado, setembro 08, 2007
sexta-feira, setembro 07, 2007
Heart's Dialogues
He: Don't you cry when we're through. I got a cold cold heart, I do.
She: You look so fine, I want to break your heart and give you mine. You're taking me over.
He: Growing hold, faking new, something borrowed and then again something blue. My cold heart can't go wrong and it gets me around in bounds along.
She: It's so insane! You've got me tethered and chained. I hear your name and I'm falling over.
He: Can't define what is love. Should I then pray out to the one above?
She: You come on like a drug, I just can't get enough. I'm like an addict coming at you for a little more and there's so much at stake, I can't afford to waste.
He: I don't have that stuff you need, but I can get down on my knees. I'll ease your pain, your appetite, for today it's ok, it's alright. It's alright as long as I don't have to stay, my cold heart can't take it any other way.
She: I don't care. I want you to stay and hold me and tell me you'll be here to love me today.
He: "Long before I knew you there was someone who cared that warned my heart and made it part so high above the land."
She: A memory from your lonesome past keeps us so far apart. Why can't I free your doubtful mind and melt your cold cold heart?
He: Out of luck, knock on wood and I just left you because I could. My cold heart, who could tell? That all this silence would burn and turn to hell.
She: I used to adore you, I couldn't control you. There was nothing I wouldn't do to keep myself around and close to you.
He: I know what you're going through. I feel like I already know you. Why don't you come here near the light? It's ok. It's ok. It's ok. It's ok. It's alright.
She: You hold my hand, but do you really need me?
He: I don't have that stuff you need.
She: I'm just sitting here waiting for you to come on home and turn me on.
He: But I can get down on my knees. I'll ease your pain, your appetite, for today it's ok, it's alright.
She: Bend me, break me, any way you need me. All I want is you. Bend me, break me, breaking down is easy. All I want is you.
He: It's alright as long as I don't have to stay. My cold heart can't take it any other way.
She: Please me, tease me, go ahead and leave me.
He: It's alright as long as ice can't turn to stone, I won't be alone.
She: That sinking feeling when you are leaving, all I believe in walks out my door.
He: Don't you cry when we're through, I've got this cold heart because, because I do.
She: Do what you want to do, just pretend happy end. Let me know, let it show. Ending with letting go, let's pretend happy end.
[As letras de "He" são da música Cold Heart de David Fonseca e as de "She" são das músicas Cold Cold Heart, Be Here To Love Me, Thinking About You e Turn Me On de Norah Jones e das músicas Temptation Waits, Special, I Think I'm Paranoid, Wicked Ways e You Look So Fine de Garbage.]
terça-feira, setembro 04, 2007
segunda-feira, setembro 03, 2007
Não há regras no sexo
Perde-se o constrangimento, a vergonha, ganha-se a coragem, a ousadia. No sexo somos outros e permitimos a expressão do nosso ser primitivo. O animal que é em nós revela-se, na excitação, nos movimentos, no transpirar, nos gemidos,... Um outro em nós. Um outro de nós. Nós. Somos na cama os selvagens que não conseguimos ser na rua. E por isso mesmo o prazer é tanto. E por isso o sexo é libertação.