sábado, dezembro 01, 2007

My Favourite Game



I don't know what you're looking for
you haven't found it baby, that's for sure
You rip me up, you spread me all around
in the dust of the deed of time

And this is not a case of lust, you see
it's not a matter of you versus me
It's fine the way you want me on your own
but in the end it's always me alone

And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my baby
losing my favourite game

I only know what I've been working for
another you so I could love you more
I really thought that I could take you there
but my experiment is not getting us anywhere

I had a vision I could turn you right
a stupid mission and a lethal fight
I should have seen it when my hope was new
my heart is black and my body is blue

And I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I'm losing my baby
losing my favourite game

I'm losing my favourite game
you're losing your mind again
I tried, I tried, (but you're still the same) I tried
I'm losing my baby
you're losing a saviour and a saint

The Cardigans

sábado, novembro 03, 2007

És o meu local errado


É como se estivesse agrafada a ti. Tu não sentes os agrafos, mas em mim eles doem que se fartam. Cada movimento teu para longe de mim rasga-me a pele. E tu não sabes que me desfaço.
Se páras a minha pele cicatriza. Se continuas nesses teus movimentos, a dor em mim é tão grande que deixo de sentir. Acomodo-me à dor, ela deixa de ser e eu julgo já não estar agrafada. Depois tu voltas a parar, e quando retomas esse teu rumo movimentado a minha pele cicatrizada rasga uma vez mais.
O meu desejo é ter os agrafos enferrujados, é tê-los demasiado velhos para se prenderem e a pele demasiado fraca para poder ser presa. É abandonar-me e esperar que rasgues a minha pele de uma só vez. Que eu ao teu lado não sou. Que eu ao teu lado não consigo. Preciso que dês todos os passos para longe de mim. Onde não te cheire, onde não te lembre. Porque tu és o meu local errado.


[imagem: SweetSerenity]

sábado, outubro 27, 2007

Afecto

Era quase meia-noite e o dia estava para acabar. Já deixaria de ser o meu dia. Aquele dia a que todos dão especial importância e o qual, na realidade, pouco siginificado tem. No entanto, havia ainda uma prenda por oferecer. Uma prenda prometida, ainda não cumprida.

Chamei-o. Larguei as folhas que tinha comigo e corri para a casa-de-banho para me preparar. Fiz questão de me vestir de forma provocadora. Usei o vestido que lá ficou da última vez e as meias que ele me ofereceu. Esperava agora pela sua chegada, entre pequenas corridas do quarto para o armário e para a casa-de-banho. A única luz que existia vinha do meu quarto e todo o resto da casa estava mergulhado na penumbra. Não havia preparação. Apenas um corpo quente e um desejo aceso.

A campainha tocou e a voz grave dele no intercomunicador aproximou o momento e aumentou a ansiedade. Subiu e precisou bater à porta porque, ainda na correria, esquecera-me de lha abrir. Rodei a maçaneta e, lentamente e escondendo o corpo atrás da porta, permiti-lhe a entrada. Olhei-o com o sorriso tímido de quem não se encontra totalmente confortável. Olhou-me com o sorriso confiante e satisfeito de quem gosta do que vê, e beijou-me. Prendeu-me em beijos, os dois encostados à porta fechada. Sem palavras, no silêncio da saliva que se partilha entre duas bocas que se desejam.

Não sei quanto tempo passou até ele me puxar pela mão até ao quarto. Entrámos. Eu junto à cama, ele fechando a porta atrás de si. Caí no erro de falar, mas rápido a boca dele abraçou a minha e os nossos corpos caíram na cama. Dois corpos que se queriam ainda antes de se encontrarem. Dois corpos que aos poucos se tocavam, despiam, acariciavam, num êxtase crescente que concretiza a paixão da carne. Esse momento, que eram muitos momentos, criou-se num silêncio que estremecia. No silêncio dos murmúrios, dos olhos fechados, dos corpos quebrados em prazer. Os momentos sofriam metamorfose. Os movimentos amadureciam. Os movimentos de luxúria e os movimentos de carinho. O carinho que passeava na pele, nos sussurros, no abraço dos olhares, de lábios em lábios.

Uma noite. Uma prenda. Poderia ser oferecida em qualquer dia, por qualquer motivo, sem motivo, com o único objectivo de deleitar dois seres que desejam, procuram, satisfazem. Dois seres de paixões. Dois seres de caprichos. E depois, o suor e o odor que desaparecem. E depois, a lembrança que fica. Uma noite que toca onde poucas vezes se sente.

finalizado a 27 de Outbro de 2007

sexta-feira, setembro 28, 2007

Não muito distante

Eu queria mais alegria,
isso é que eu queria,
alegria a correr todo o ano
era só isso que eu queria, mais alegria,
mas não foi, não foi bem, o meu caso

É que eu também já sabia,
eu já sabia,
já sabia qual era o engano
é que eu não tive o que eu queria, quando podia,
e depois, mais alguém, nunca mais

Disse-me um dia, não muito distante
Volta num dia, não muito distante
Quem sentiu o que eu sentia, quando partia,
e partia levando o encanto

Fica a saber que eu choro, por tanta alegria
como eu sei, sei tão bem, e não tive
Disse-me um dia, não muito distante
Volta num dia, não muito distante
e eu disse um dia, não muito distante
Disse-lhe um dia, não muito distante

Madredeus


segunda-feira, setembro 17, 2007

Conclusões tão conclusivas

E ela disse:
- Uma merda, portanto. E a merda só serve para adubar. Tal como as cinzas. Faça-se de mim cinzas, então, para que eu tenha um papel a desempenhar no mundo.

sábado, setembro 15, 2007

Atracção

Foi a sair da sala, pela manhã, que ela te viu pela primeira vez nesse dia. Não o queria admitir, mas sentiu saudades da tua figura no fim-de-semana.
E ali estavas tu, sozinho, encostado à parede a olhar em redor alheadamente para todos os que passavam. O coração dela disparou ao ver-te e sentiu o rubor crescer nas suas faces. Disfarçava, porém. Ou tentava disfarçar. O calor que crescia no seu corpo e a ansiedade que turvava o pensamento eram difíceis de disfarçar.
Passou por ti e tentou exprimir um “olá” imparcial, vulgar. Mas os teus olhos grandes e expressivos a olharem para ela confundiram-na e o seu calor corporal, quase vergonhoso, intensificou-se ainda mais. A tua presença perturbava-a. Ela sabia-o e era impossível negá-lo.
Continuou o seu percurso e fingiu não te ver mais. Afinal, iria estar ocupada. A aula que se seguiria, pouco tardava a começar. Além do mais, estavam imensas pessoas no corredor e ela não se ia entregar à triste figura de furar os espaços livres com o olhar só para te avistar. Contudo, em alguns momentos, não resistia e saciava a sua sede de te observar. Mas rápido desviava o olhar e distraia-se a conversar com outras pessoas.

Esta atracção irresistível por ti tornava-se insuportável. Não queria sentir esta força incontrolável, mas não conseguia resistir-lhe, guiada pelo desejo de te ter, ainda que com o olhar, apenas.

09.10.06

quarta-feira, setembro 12, 2007

Livre do passado

- Aprende-se a esquecer?
- Não se trata de esquecer. O que importa é aprender a lembrar e, ao mesmo tempo, estar livre do passado. É importante aprender a forma de estar ali, com o morto, e ao mesmo tempo estar aqui, neste lugar, com os vivos.
Lançou-lhe um sorrisinho triste e acrescentou:
- Não é fácil.

Aldous Huxley, in A Ilha

terça-feira, setembro 11, 2007

Only

I'm becoming less defined as days go by
Fading away
Well you might say
I'm losing focus
Kind drifting into the abstract in terms of how I see myself

Sometimes I think I can see right through myself
Sometimes I think I can see right through myself
Sometimes I think I can see right through myself

Less concerned about fitting into the world
Your world that is
Because it doesn't really matter
(no it doesn't really matter anymore)
None of this really matters anymore

Yes I'm alone but then again I always was
As far back as I can tell
I think maybe it's because
you never were really real to begin with
I just made you up to hurt myself
And it worked.
Yes it did!

[Chorus]
There is no you
There is only me
There is no you
There is only me
There is no fucking you
There is only me
There is no fucking you
There is only me

Only, Only, Only

The tiniest little dot caught my eye
and it turned out to be scab and I had this funny feeling
Like I just knew it was something bad
I just couldn't leave it alone, picking at that scab
Was a doorway trying to seal itself shut
But I climbed through

Now I am somewhere I am not supposed to be,
and I can see things I knew I really Shouldn't see
And now I know why (yea now I know why)
Things aren't as pretty
On the inside

Nine Inch Nails

segunda-feira, setembro 10, 2007

sábado, setembro 08, 2007

sexta-feira, setembro 07, 2007

Heart's Dialogues

She: The more I learn to care for you the more we drift apart. Why can't I free your doubtful mind and melt your cold cold heart?

He: Don't you cry when we're through. I got a cold cold heart, I do.

She: You look so fine, I want to break your heart and give you mine. You're taking me over.

He: Growing hold, faking new, something borrowed and then again something blue. My cold heart can't go wrong and it gets me around in bounds along.

She: It's so insane! You've got me tethered and chained. I hear your name and I'm falling over.

He: Can't define what is love. Should I then pray out to the one above?

She: You come on like a drug, I just can't get enough. I'm like an addict coming at you for a little more and there's so much at stake, I can't afford to waste.

He: I don't have that stuff you need, but I can get down on my knees. I'll ease your pain, your appetite, for today it's ok, it's alright. It's alright as long as I don't have to stay, my cold heart can't take it any other way.

She: I don't care. I want you to stay and hold me and tell me you'll be here to love me today.

He: "Long before I knew you there was someone who cared that warned my heart and made it part so high above the land."

She: A memory from your lonesome past keeps us so far apart. Why can't I free your doubtful mind and melt your cold cold heart?

He: Out of luck, knock on wood and I just left you because I could. My cold heart, who could tell? That all this silence would burn and turn to hell.

She: I used to adore you, I couldn't control you. There was nothing I wouldn't do to keep myself around and close to you.

He: I know what you're going through. I feel like I already know you. Why don't you come here near the light? It's ok. It's ok. It's ok. It's ok. It's alright.

She: You hold my hand, but do you really need me?

He: I don't have that stuff you need.

She: I'm just sitting here waiting for you to come on home and turn me on.

He: But I can get down on my knees. I'll ease your pain, your appetite, for today it's ok, it's alright.

She: Bend me, break me, any way you need me. All I want is you. Bend me, break me, breaking down is easy. All I want is you.

He: It's alright as long as I don't have to stay. My cold heart can't take it any other way.

She: Please me, tease me, go ahead and leave me.

He: It's alright as long as ice can't turn to stone, I won't be alone.

She:
That sinking feeling when you are leaving, all I believe in walks out my door.


He: Don't you cry when we're through, I've got this cold heart because, because I do.

She: Do what you want to do, just pretend happy end. Let me know, let it show. Ending with letting go, let's pretend happy end.



[As letras de "He" são da música Cold Heart de David Fonseca e as de "She" são das músicas Cold Cold Heart, Be Here To Love Me, Thinking About You e Turn Me On de Norah Jones e das músicas Temptation Waits, Special, I Think I'm Paranoid, Wicked Ways e You Look So Fine de Garbage.]

terça-feira, setembro 04, 2007

Wondering

I try.
Do I?
Probably not.
But I want to!
Really?
I'm not sure.

"I just can't lay down and die"

segunda-feira, setembro 03, 2007

Não há regras no sexo

No sexo não há regras. A educação não nos ensina o sexo. O sexo não pode ser ensinado. Não nos dizem quais as posições, os actos e as expressões proibidas no sexo. Não nos é dito como nos devemos comportar no sexo. E por isso no sexo as pessoas revelam-se.
Perde-se o constrangimento, a vergonha, ganha-se a coragem, a ousadia. No sexo somos outros e permitimos a expressão do nosso ser primitivo. O animal que é em nós revela-se, na excitação, nos movimentos, no transpirar, nos gemidos,... Um outro em nós. Um outro de nós. Nós. Somos na cama os selvagens que não conseguimos ser na rua. E por isso mesmo o prazer é tanto. E por isso o sexo é libertação.

5 de Julho de 2007

domingo, setembro 02, 2007

Pormenores

Quando nos habituamos ao torpor da melancolia conseguimos distinguir os diferentes graus em que ela surge, e só esse conhecimento é suficiente para esboçar um sorriso. Há uma relação muito próxima entre mim e a minha melancolia, por isso alegro-me quando a sei reconhecer. A minha melancolia é fiel. Sei que posso sempre contar com ela, mesmo quando parece não estar presente.

terça-feira, agosto 28, 2007

Ignorância como sobrevivência

A ignorância é necessária à mente humana. Por isso existem mistérios e segredos e milagres e síndromes e fenómenos sobrenaturais.

Acredito no conhecimento e acredito na procura do conhecimento, mas aceito o zeitgeist, que há momentos para a descoberta. A sabedoria nasce de uma dança harmoniosa entre o conhecimento e o crescimento, por isso aceito que a ignorância é um patamar que nos permite o acesso a novos degraus sem tropeçarmos.
O não saber é um porto seguro e todos nós precisamos de um. A ignorância é sobrevivência porque sem ela não haveriam calmarias nas tempestades dos nossos mundos.

Hoje compreendo o poder da ignorância e sei que esse conhecimento foi acedido porque cresci. E continuo a crescer...

sexta-feira, agosto 24, 2007

Exercício dos 5 minutos

Eram exactamente 1h11 quando ela pegou na faca da cozinha e a fez deslizar por embos os pulsos. Não queria que tivesse sido assim, mas não havia outra forma e ela não aguentaria esperar mais um dia. Pelo menos acertava na hora e isso era ainda mais importante do que o modo como o fazia. Toda a sua vida tivera um qualquer pressentimento relativamente àquela hora e esta noite dava-lhe finalmente um significado.
Não sabia se olhava para o sangue escorrer ou se simplesmente encarava a parede da casa-de-banho até... até não ser preciso preocupar-se com isso ou qualquer outra coisa.

17 de Agosto de 2007

sábado, agosto 18, 2007

Shirley Manson







Fuck, "when I grow up" I want to be like her.

"Shirley Manson is what we call, hardcore. Everything she does, from her songs and her lyrics to her life has her 100% effort and attention." (AskMen.com )

sexta-feira, agosto 17, 2007

Exercício das Palavras I

Palavras:
  • café
  • baunilha
  • lençóis
  • ballet
9h da manhã. Lara esperava apoiada ao balcão que o café se aprontasse na cafeteira eléctrica e o sol, na sua pujança matinal, invadia a cozinha fazendo-a brilhar em todos os seus pormenores. Os bilhetinhos do pequeno Tomé eram uma vez mais passados por debaixo da porta e Lara perguntava-se como poderiam parecer tão sinceras as juras de amor de um miúdo de apenas 8 anos.
Do quarto chegavam os roncos de um desconhecido encontrado na noite anterior. Ela mirava os seus pés descalços semi-encobertos pelo lençol e preocupava-se em não chegar atrasada à aula de ballet. Num impulso dirigiu-se ao quarto, abriu os estores acordando o jovem mais pelo barulho do que pela luz que lhe lavava a cara directamente.
Rapidamente se sentou e a fixou. Lara com frases curtas, mas um sorriso dócil informou-o de que tinha de ir embora. Voltou à cozinha, levou-lhe uma caneca de café e insistiu na urgência por causa da sua aula. Enquanto ele apanhava as roupas do chão e se vestia, ela desfazia a cama e continha a expressão de nojo que o perfume de baunilha dele lhe causava. O cheiro impregnava os lençóis e por isso apressou-se em enfiá-los na máquina de lavar. Ele não acabara o café, mas já estava vestido, então indicou-lhe a saída, acompanhando-o à porta e despedindo-se com dois beijos inocentes.
- Posso voltar a estar contigo?
- Hã... como era mesmo o teu nome?
- Ricardo.
- Ok, Ricardo. Gostei muito da noite, mas precisas mesmo de ir.
De novo o sorriso e a porta fechou-se. Era tempo de se aprontar para mais um dia.

domingo, agosto 12, 2007

Simbiose

Todo um misto de euforia, prazer e desejo que acaba lenta e calmamente em mais uma conversa que se prolonga nas horas, num longo momento de troca de pensamentos que nos transportam ao transcendente do comum, ao império da racionalidade, da compreensão, da consciência. E é por esse processo de libertação que se anseia, por esse momento de exploração do ser.

21 de Maio de 2007