domingo, julho 08, 2007
Sobre Relacionamentos
Krishnamurti
sábado, junho 09, 2007
Pranto demente
O som da aparelhagem entorpece os sentidos. Não ouço nada mais senão a música em mim. Os carros lá em baixo transitam em mudez e as pessoas só movem os lábios. A brisa que é suave, a pele sente. As unhas nos braços, nem as sei. Há uma sensibilidade desconforme em mim. O céu exige o meu voo, a varanda empurra-me, o corrimão segura-me. Não estou em mim. Mas existe um mergulho que me afoga. E não vejo a superfície, os meus olhos cerram quando olho para cima. O que é profundo agarra os meus tornozelos e há uma força que me atrai e uma fraqueza que leva o meu olhar para o fundo. Desço. Em mim e por mim permito-me escorregar. Despida e descalça palmilho o pensamento. Espeto os pés nos vidros estilhaçados e firo a carne nos espinhos que se projectam das paredes da memória. Há sangue e as batidas aceleradas do coração. Há lágrimas desamparadas que nascem ininterruptamente. E surge, de novo, a vontade de ferir, de me ferir, de marcar, de fazer história no meu corpo. Porque há necessidade de perpetuar o momento. Há necessidade de relembrar que o pranto existe e apavora e me guia em pensamentos débeis. E o mais sério é o prazer que retiro desse estilhaçar do ser.
domingo, maio 27, 2007
domingo, maio 20, 2007
What's the point?...
...
domingo, maio 06, 2007
Conforto de um abraço
...because I "can´t get away from the burning inside"...
sábado, abril 21, 2007
(cont.)
Necessidade de encontrar um tema que me faça escrever, escrever, escrever...
Não ser, sendo
Nos meus dentes está depositada grande parte da minha raiva e por isso mordo, com toda a força, com toda a convicção, com toda a mágoa e desejo. Gosto quando os dentes espetam a carne e ferem e sabem ferir. Sabe-lhes bem e eu não os controlo, por isso tenho a boca e os lábios cortados, marco os dedos, as mãos e os braços e doem-me os maxilares.
Existe tensão, existem conversas inexistentes, existe mágoa, existe uma mente saturada e um coração ignorado. Existe necessidade de explosão. Mas não expludo, então ranjo, mordo e sorrio.
[Incompleto?]
domingo, abril 08, 2007
Sem título
Tanto lutei para escrever de cabeça que barrei passagem à fonte de toda a escrita. Tanto quis escrever "bonito" que perdi por completo a noção do que isso era. Tanto quis ser escritora que acabei por ter as folhas em branco e a caneta a transbordar de tinta. E dói. Mutilei-me na ânsia de me melhorar. Amputei o que era necessário por julgar dispensável e até incomodativo. E agora encontro-me nesta posição de querer fazer e já não saber como.
"Ele tinha muita razão quando disse: 'Podias ser mais criativa se não ligasses tanto aos outros. Precisas de reescrever uma frase 1001 vezes.' E por isso o meu processo de escrita centra-se mais num passo do que nos outros: paragem."
quinta-feira, abril 05, 2007
Desafio do 7 (recebido de Hasta Siempre... por ti!)
- dormir: predilecção da minha vida;
- acordar com sono: desde que me lembro, por muito ou pouco que durma tanto faz que a vontade de pôr a pé é sempre mínima;
- escrever sms: quem sempre teve o tarifário Pako aprende a dizer tudo o que quer em 160 caracteres de forma perceptível (não se entenda que é uma coisa que eu faço muito porque não é verdade);
- ver televisão: consigo ficar uma tarde inteira a devorar séries e filmes sem me aperceber que entretanto o mundo lá fora se transforma (dia passa a noite e assim);
- esquecer: de todo o tipo de tarefas (importantes ou mesquinhas) e objectos;
- deixar as coisas a meio: em praticamente tudo! (o que diz no meu signo? está errado!);
- guardar talões: desde que entrei na Universidade guardo os talões de absolutamente tudo! (vá-se lá saber porquê).
- andar de patins: não tenho nem nunca tive e só andei uma ou duas vezes, gostei, mas não eram meus;
- atirar lixo para o chão: que porcalhice! (olho com desdém e estupefacção quem o faz);
- matar insectos: não consigo, não tenho coragem e faz-me impressão, e quando, eventualmente, o faço é só em caso muito extremo ou sem querer;
- acender a lareira: eu juro que já tentei, mas aquilo apaga-se sempre;
- pôr a roupa a lavar na máquina: o mais difícil é separar a roupa branca da de côr (parece fácil, mas não é!), já o fiz algumas vezes, mas penso sempre que estou a fazê-lo da maneira errada;
- desligar-me dos pormenores: sublinhar textos, fazer resumos, sintetizar qualquer conversa ou história, etc. é difícil porque me custa omitir os pormenores;
- representar: dor da minha vida, adoro, mas há que ser realista (talvez no futuro).
- Olhos: grandes, não interessa a côr, de pestanas compridas, expressivos, observadores, atentos, com um misto de meiguice e confiança;
- Sorriso: aberto, alegre, simpático, sincero (um bom sorriso conta mais que muito);
- Mãos: médias, de dedos esguios, mas com personalidade, jovens, ágeis, intitulo-as "mãos de artista" por serem o oposto das "mãos de trabalhador", fortes, calejadas, ásperas (sem qualquer insulto implícito);
- Inteligência: o conhecimento é bom afrodisíaco;
- Auto-confiança: deve ser por isso que os "brutos" têm o seu encanto;
- Maturidade: e aqui incluo a compreensão;
- Sentido de humor: adoro brincar e dizer parvoíces e a "carrancudice" não vibra a essa frequência.
- Merci;
- Esqueci-me;
- Já vou;
- O que é o comer? (sim, eu digo "comer" em vez de "comida" :S);
- Espera aí;
- Olá;
- Tipo (muitos de nós usamos o "tipo" como bengala a conversar).
- Anthony Hopkins (qualquer um);
- Jude Law (Alfie e as Mulheres, Cold Mountain, Closer, A.I., ...);
- Jonhnny Depp (Charlie e a Fábrica de Chocolates, Donnie Brasco, A Janela Secreta, ...);
- Keanu Reeves (Matrix, Dom, Constantine, Advogado do Diabo,...);
- Ewan McGregor (Trainspotting, Moulin Rouge, A Ilha, ...);
- Natalie Portman (Closer, A Guerra das Estrelas, ...);
- Milla Jovovich (Joana D'Arc, Quinto Elemento, ...).
- Gato (http://blogdogatopreto.blogspot.com);
- Pintelho (http://diariodeumpintelho.blogspot.com);
- Psychotic (http://sensibilidadesplausiveis.blogspot.com);
- Ciro (http://ciromiranda.com.sapo.pt);
- Eremita (http://eremitta.blogspot.com);
- Perséfone (http://astheneia.blogspot.com);
- Miguel (http://hauntedhome.blogspot.com).
quarta-feira, abril 04, 2007
Covarde
sábado, março 24, 2007
domingo, março 11, 2007
segunda-feira, janeiro 22, 2007
Razões de desconfiança
Somos tantas vezes bonitos, fofos, o máximo, fixes, 5 estrelas, as pessoas mais amigas e espectaculares que alguma vez conheceram... Somos? Que dizem eles? Ouvem-se, leêm-se? Nem sabem o peso das suas palavras... As palavras querem-se sinceras e respeitadas!
Por acaso sabem que sou irónica, por vezes precipitando-me no sarcasmo? que por detrás desta voz aguda e ameninada também existem palavras rudes, cuja missão é atingir-vos. Sabem que quando realmente desejo algo não me consigo impedir de ignorar as vossas necessidades, preenchendo-me de egoísmo e egocentrismo e focando toda a minha atenção no alvo desejado?
Que é feito das menções aos defeitos quando se comenta uma pessoa na sua totalidade? Eu tenho defeitos. Todos têm defeitos. E quantas vezes não gostariamos ou precisariamos que nos dissessem directamente para que nos pudessemos emendar. Quantas vezes não prefeririamos palavras azedas e expressões de desgosto, ao invés de sorrisos amarelos e atitudes dissonantes com as palavras amáveis que com tão pouco empenho nos dirigem e que, logo, denunciam a existência de conversas ocultas.
Eu sei que erro. Todos erramos! E por isso são precisas discussões. Discussões francas, onde demonstremos respeito e apreço pelo outro e onde as nossas palavras sejam bisturis que abrem mas curam e não balas que furam e matam. Eu voto pela sinceridade e pela delicadeza também. Que é possível conjugá-las sem ser necessário sucumbirmos a tendências ou estereótipos.
E depois disto lerem, pensarão se eu própria sou assim. Para os que se perguntarem, eu respondo que não. E ao longo do texto vim a confessar-me. Escrevo sobre um ideal. Escrevo sobre os outros e sobre quem gostaria de ser. Eu, mais que muitas pessoas e como tantas outras, sofro do mal de não conseguir ser directa com receio de ser desgostada. Confesso ainda que quando o sou nem sempre alio a delicadeza às minhas críticas, tornando-me grosseira.
Preciso mudar, preciso melhorar. E aos poucos consigo. Muito lentamente, muito a modo e muito receosa, mas conseguirei tornar-me nem que seja numa ínfima parte do que tanto almejo. E para tal preciso saber, conhecer-me. O mundo da ignorância e do facilitismo nada de novo me traz. E bem sei que há quem me desgoste, com razão ou sem razão nem é chamado à questão, mas quão bom seria que se expressassem. Julgo que é pior não saber do que saber mesmo que isso implique dor. É que, na verdade, a dor desperta-nos e isso é um óptimo passo para a mudança.
Mudança. Progresso. Basta de viver presa ao passado.
terça-feira, janeiro 16, 2007
Tudo o que faço ou medito...
daqueles que memorizamos de tantas vezes o lermos
daqueles em que choramos ao ler o primeiro verso.
Tudo o que faço ou medito
Fica sempre na metade.
Querendo, quero o infinito.
Fazendo, nada é verdade.
Que nojo de mim fica
Ao olhar para o que faço!
Minha alma é lúcida e rica
E eu sou um mar de sargaço -
Um mar onde bóiam lentos
Fragmentos de um mar de além...
Vontades ou pensamentos?
Não o sei e sei-o bem.
Fernando Pessoa
sábado, dezembro 30, 2006
Sem voz
sábado, dezembro 16, 2006
sexta-feira, dezembro 08, 2006
Onze Minutos
Quando o desejo ainda está nesse estado puro, homem e mulher apaixonam-se pela vida, vivem cada momento com reverência, e conscientemente, sempre à espera do momento certo de celebrar a próxima benção.
Pessoas assim não têm pressa, não precipitam os acontecimentos com acções inconscientes. Elas sabem que o inevitável se manifestará, que o verdadeiro encontra sempre uma forma de se mostrar. Quando chega o momento, elas não hesitam, não perdem uma oportunidade, não deixam passar nenhum momento mágico, porque respeitam a importância de cada segundo."
Paulo Coelho
sábado, novembro 18, 2006
muito, meu amor
"Todas as feridas serão material de poemas. Portanto não devem ser evitadas. De preferência mantê-las abertas, até por fim sararem. De outro modo não deixarão outra cicatriz que não seja umas linhas, uma página, no máximo. (...)"
Pedro Paixão