Como em todas as minhas histórias de adolescente, estava um fim de tarde ameno. O sol mergulhava, na sua calma, nas águas do oceano atlântico e pintava o céu num tom de laranja que me preenchia a alma. Alma que se encontrava, ainda, presa a este corpo de pele branca e seca, escondida, apenas, pelo biquini laranja e o saiote azul marinho, com cujas tirinhas me entretinha. A maresia fresca que pairava no ar enchia-me os pulmões e fez-me divagar... O corpo estava naquela praia, mas a mente viajava já entre mil e um pensamentos das mais variadas sensações. A primeira a sobressair do baú das memórias foi o cheiro ao cozido de bacalhau que a minha mãe costumava fazer no tempo inverniço. Sempre cozinhou com tanto carinho!... Tudo era cuidado ao mais ínfimo pormenor, nada podia faltar e tudo o que havia era maravilhoso. "Um verdadeiro jantar dos deuses!", dizia o meu pai limpando a boca ao guardanapo, encostado à cadeira de papo para o ar. E realmente, os jantares da minha mãe sempre foram deliciosos e eram sempre propícios a longas conversas que se estendiam até altas horas da noite. Eram bons os tempos passados com os meus pais. A nossa relação era, sem dúvida nenhuma, uma amizade extremamente forte e rica. Tantas experiências em comum, tantos conhecimentos e relatos partilhados, tanta vida entre nós. E as nossas viagens? Oh, as nossas viagens!... De um canto ao outro do país, dormitanto em hóteis, cantando no carro ao som dos velhos cd's do meu pai, comentando, criticando, rindo... Ainda me lembro quando fomos todos juntos ao Jardim Zoológico de Lisboa. Saí de lá com os pés em bolhas, mas valeu tanto a experiência! Era (e ainda deve ser) enorme! e são tantos os animais lá hospedados! Desde os ferozes leões tão esperados naqueles sítios, os chimpanzés tão fofinhos e brincalhões, aquelas aves pequenas todas coloridas, as girafas com o seu pescoço grandemente engraçado, os hipopótamos, até os répteis e lembro-me de ver avestruzes! Houve até uma avestruz deveras patusca que decidiu engraçar com a minha mãe, talvez pela camisola colorida que ela levava nesse dia, ainda não sabemos. As lembranças de bons momentos passados saltitavam em mim e eu deixava-me ir... até sentir na cara uma pequena gota de água que, insistentemente, se multiplicou. Começou a chover fortemente e de rajada e fui obrigada a levantar-me e atravessar a praia até ao café. Agora, era o ar fresco que avizinhava a noite que me despertava de regresso ao corpo e ao presente.
11 de Agosto de 2005
Em resposta ao desafio do mês "Palavra de ordem!" do Escreva!
domingo, outubro 02, 2005
sábado, setembro 17, 2005
Tragic Kingdom
"You and me
We used to be together
Every day together always
I really feel
I'm losing my best friend
I can't believe
This could be the end"
No Doubt - Don't Speak
We used to be together
Every day together always
I really feel
I'm losing my best friend
I can't believe
This could be the end"
No Doubt - Don't Speak
segunda-feira, setembro 05, 2005
Cartas a um Jovem Poeta
"Rainer Maria Rilke nasceu em Praga em 1875, filho de um oficial do exército e de uma mãe fanaticamente religiosa.Estudou filosofia, história, literatura e arte em Praga, Berlim e Munique. Começou a escrever poesia desde muito cedo.
Em 1901 casou com Clara Westhoff e viveram em Worpswede até ao nascimento do único filho, tendo-se depois mudado para Paris, em 1902. Morreu em Valmont, a 29 de Dezembro de 1926."*

"Atraídos pela sua poesia, era frequente alguns jovens escreverem a Rilke, falando-lhe dos seus problemas e aspirações. De 1903 a 1908 Rilke enviou um notável conjunto de cartas a um jovem cadidato a poeta, sobre a poesia, o amor e a sensibilidade, revelando também, desta forma, a sua relação com a vida e a dificuldade que um espírito sensível tem em sobreviver num mundo duro e implacável."*
Adorei ler este livro e agradeço imenso ao AF do Segundo Impacto que me sugeriu a sua leitura num comentário a um texto que eu cá tinha posto. Tal como ele disse, é um livro "recheado de conselhos e ideias muito interessantes" e eu aconselho, vivamente, a todos aqueles que se interessam pela escrita e a tantos outros também, porque são conselhos acerca da vida.
*Direitos reservados por Coisas de Ler Edições, Lda.
segunda-feira, agosto 08, 2005
10 Coisas
Esta foi uma resposta a um post do Blog Luz e Sombra que pedia 10 coisas sobre nós próprios e, como tenho andado "seca" de ideias, achei que isto vos pudesse interessar; sempre é um bocadinho mais de mim.
1.Fisicamente. Há duas coisas que gosto especialmente em mim: os meus olhos e os meus sinais. Os olhos, apesar de serem comummente castanhos, são grandes e fascinam-me pela sua vivacidade de expressão, pelo brilho das emoções e pela sua mobilidade observadora. Os sinais são, para mim, marcas de identificação pessoais e adoro cada um deles em mim (não são poucos).
Nos outros, perco-me apaixonadamente nas mãos e nos sorrisos. Adoro mãos finas de dedos compridos, as mãos ágeis e delicadas. Os sorrisos se forem alegres e sobretudo sinceros, enfeitiçam-me por completo, indescritível. Adoro também cabelos compridos e lisos (não fosse o meu assim); a minha mãe bem insistiu, quando eu era pequena, em cortá-lo pequenino (à tigela), mas não adiantou, a minha fixação “falou” mais alto.
2. Desorganizada. Sou muito desorganizada mentalmente e isso verifica-se depois nas pequenas coisas diárias. É aborrecido porque me esqueço, muito facilmente, de várias coisas, como compromissos, aniversários, tarefas, planos e afins… e também na própria escrita, em que o pensamento é muito mais rápido que a mão, as ideias perdem-se na confusão e os parágrafos, muitas vezes, ficam incompletos. Isso faz-me sentir sempre um pouco perdida e, consequentemente, frustrada por nunca encontrar algo que se assemelhe a um Norte.
3. Monotonia. Posso muito bem usar o verbo “detestar” sem hesitação porque detesto, mesmo (!), a monotonia. Deixa-me doente psicologicamente. Repetições, rotina são me embaraços. Preciso de ver, ouvir, fazer coisas diferentes quase constantemente. Para mim a vida tem que ser aproveitada e a monotonia anula esse possível proveito.
4. Sem pontualidade. Vergonhosamente, chego atrasada a todo lado. Não tenho a mínima noção do tempo, por isso não consigo controlar o tempo e as minhas tarefas, chegando atrasada a qualquer lado. Acho que se chega a tornar uma deficiência porque eu não consigo mesmo ter noção, quando penso que 10 minutos chegam, afinal eram preciso 15 ou 20 e nunca aprendo.
5. Preguiçosa. Demasiado preguiçosa! Qualquer espécie de iniciativa ou vontade própria são aniquiladas sem piedade nenhuma. Tão preguiçosa que chego a ser apática. A minha posição favorita é deitada e qualquer oportunidade que tenha para deitar a cabeça é, imediatamente aproveitada, como por exemplo, nas cadeiras ou mesas do café, ou até na mesa de jantar cá de casa ao fim da refeição. Por isso, uma das coisas que muito prezo, é dormir. É uma característica que choca bastante com a vontade asfixiante de querer fazer coisas novas e diferentes. Enfim… contradições.
6. Letras coloridas. Associo cores às letras e simpatizo com algumas e outras não. Alguns exemplos: para mim o “e” é amarelo e o “i” é vermelho; não gosto da letra “F” porque a acho antipática e feia, adoro as letras redondinhas, como o “B” e o “G” porque são amigáveis e fofinhas.
7. Música. Apercebi-me, recentemente, que é um vício ouvir música. Não ouvir música um dia inteiro é uma tortura, mas, felizmente, isso quase ou nunca acontece. Se não ouço música, tenho com certeza alguma na cabeça e chego a cantarolar inúmeras vezes, apesar da minha voz soar um pouco a “cana rachada”. A música para mim é o “background” da minha vida. Tal como os filmes têm sempre uma qualquer música a acompanhar cada cena, eu associo músicas a alturas da minha vida. A música é o embalo das minhas emoções; emociono-me conforme a música que estiver a ouvir ou escolho, delicadamente, as músicas de acordo com a minha disposição.
8. Escrita. Sufoco se não escrever. Chego a desesperar se estiver numa daquelas alturas em que preciso mesmo (!) de escrever e não consigo. A mão fica parada, a caneta escorrega pelos dedos, o papel continua em branco, os olhos vagueiam… não me há cenário interior mais agoniante. Como nunca converso com ninguém (excepto comigo própria) acerca dos meus sentimentos, tenho uma necessidade enorme de os despejar através das palavras escritas. Caso contrário, fica tudo entalado, sufocando a garganta e, às vezes, acabando em lágrimas.
9. Racional. Não sou uma pessoa muito emocional, a minha tendência é mesmo para o racional e como tal sufoco tudo que seja emoção ou sentimento, racionalizando a maior parte das coisas da melhor maneira possível. Fico deveras embaraçada quando vejo alguém chorar ou a falar de sentimentos abertamente. Por isso, evito situações demasiado delicadas nesse aspecto porque nunca sei o que fazer ou dizer. Penso que todas as pessoas que convivem comigo têm noção disso e por isso, sabem que não me conhecem muito bem, pois nunca conto nada de mim, a não ser coisas banais do quotidiano.
10. Teatro. Em pequena, quando exploramos desejos de ter diversas profissões, decidi, por último, que queria ser actriz. Entretanto, o tempo passa, uma pessoa aprende que há coisas que não podem passar de sonhos e que até são absurdas, esquece-se, até que escolhi Humanidades para o 10º ano e no 11º tive O.E.D. (Oficina da Expressão Dramática), o que fez com que o desejo voltasse. Adorei a experiência. Passaria tempos infinitos naquelas aulas e até me cheguei a inscrever num workshop de teatro leccionado pela companhia de teatro de Barcelos – Capoeira – que, por sua vez, também foi uma experiência muito proveitosa. Com este desejo crescente e fortificado, espero entrar na esmae, no Porto, daqui a um ano e licenciar-me em Teatro.
1.Fisicamente. Há duas coisas que gosto especialmente em mim: os meus olhos e os meus sinais. Os olhos, apesar de serem comummente castanhos, são grandes e fascinam-me pela sua vivacidade de expressão, pelo brilho das emoções e pela sua mobilidade observadora. Os sinais são, para mim, marcas de identificação pessoais e adoro cada um deles em mim (não são poucos).
Nos outros, perco-me apaixonadamente nas mãos e nos sorrisos. Adoro mãos finas de dedos compridos, as mãos ágeis e delicadas. Os sorrisos se forem alegres e sobretudo sinceros, enfeitiçam-me por completo, indescritível. Adoro também cabelos compridos e lisos (não fosse o meu assim); a minha mãe bem insistiu, quando eu era pequena, em cortá-lo pequenino (à tigela), mas não adiantou, a minha fixação “falou” mais alto.
2. Desorganizada. Sou muito desorganizada mentalmente e isso verifica-se depois nas pequenas coisas diárias. É aborrecido porque me esqueço, muito facilmente, de várias coisas, como compromissos, aniversários, tarefas, planos e afins… e também na própria escrita, em que o pensamento é muito mais rápido que a mão, as ideias perdem-se na confusão e os parágrafos, muitas vezes, ficam incompletos. Isso faz-me sentir sempre um pouco perdida e, consequentemente, frustrada por nunca encontrar algo que se assemelhe a um Norte.
3. Monotonia. Posso muito bem usar o verbo “detestar” sem hesitação porque detesto, mesmo (!), a monotonia. Deixa-me doente psicologicamente. Repetições, rotina são me embaraços. Preciso de ver, ouvir, fazer coisas diferentes quase constantemente. Para mim a vida tem que ser aproveitada e a monotonia anula esse possível proveito.
4. Sem pontualidade. Vergonhosamente, chego atrasada a todo lado. Não tenho a mínima noção do tempo, por isso não consigo controlar o tempo e as minhas tarefas, chegando atrasada a qualquer lado. Acho que se chega a tornar uma deficiência porque eu não consigo mesmo ter noção, quando penso que 10 minutos chegam, afinal eram preciso 15 ou 20 e nunca aprendo.
5. Preguiçosa. Demasiado preguiçosa! Qualquer espécie de iniciativa ou vontade própria são aniquiladas sem piedade nenhuma. Tão preguiçosa que chego a ser apática. A minha posição favorita é deitada e qualquer oportunidade que tenha para deitar a cabeça é, imediatamente aproveitada, como por exemplo, nas cadeiras ou mesas do café, ou até na mesa de jantar cá de casa ao fim da refeição. Por isso, uma das coisas que muito prezo, é dormir. É uma característica que choca bastante com a vontade asfixiante de querer fazer coisas novas e diferentes. Enfim… contradições.
6. Letras coloridas. Associo cores às letras e simpatizo com algumas e outras não. Alguns exemplos: para mim o “e” é amarelo e o “i” é vermelho; não gosto da letra “F” porque a acho antipática e feia, adoro as letras redondinhas, como o “B” e o “G” porque são amigáveis e fofinhas.
7. Música. Apercebi-me, recentemente, que é um vício ouvir música. Não ouvir música um dia inteiro é uma tortura, mas, felizmente, isso quase ou nunca acontece. Se não ouço música, tenho com certeza alguma na cabeça e chego a cantarolar inúmeras vezes, apesar da minha voz soar um pouco a “cana rachada”. A música para mim é o “background” da minha vida. Tal como os filmes têm sempre uma qualquer música a acompanhar cada cena, eu associo músicas a alturas da minha vida. A música é o embalo das minhas emoções; emociono-me conforme a música que estiver a ouvir ou escolho, delicadamente, as músicas de acordo com a minha disposição.
8. Escrita. Sufoco se não escrever. Chego a desesperar se estiver numa daquelas alturas em que preciso mesmo (!) de escrever e não consigo. A mão fica parada, a caneta escorrega pelos dedos, o papel continua em branco, os olhos vagueiam… não me há cenário interior mais agoniante. Como nunca converso com ninguém (excepto comigo própria) acerca dos meus sentimentos, tenho uma necessidade enorme de os despejar através das palavras escritas. Caso contrário, fica tudo entalado, sufocando a garganta e, às vezes, acabando em lágrimas.
9. Racional. Não sou uma pessoa muito emocional, a minha tendência é mesmo para o racional e como tal sufoco tudo que seja emoção ou sentimento, racionalizando a maior parte das coisas da melhor maneira possível. Fico deveras embaraçada quando vejo alguém chorar ou a falar de sentimentos abertamente. Por isso, evito situações demasiado delicadas nesse aspecto porque nunca sei o que fazer ou dizer. Penso que todas as pessoas que convivem comigo têm noção disso e por isso, sabem que não me conhecem muito bem, pois nunca conto nada de mim, a não ser coisas banais do quotidiano.
10. Teatro. Em pequena, quando exploramos desejos de ter diversas profissões, decidi, por último, que queria ser actriz. Entretanto, o tempo passa, uma pessoa aprende que há coisas que não podem passar de sonhos e que até são absurdas, esquece-se, até que escolhi Humanidades para o 10º ano e no 11º tive O.E.D. (Oficina da Expressão Dramática), o que fez com que o desejo voltasse. Adorei a experiência. Passaria tempos infinitos naquelas aulas e até me cheguei a inscrever num workshop de teatro leccionado pela companhia de teatro de Barcelos – Capoeira – que, por sua vez, também foi uma experiência muito proveitosa. Com este desejo crescente e fortificado, espero entrar na esmae, no Porto, daqui a um ano e licenciar-me em Teatro.
quarta-feira, julho 27, 2005
...
O silêncio pairava no quarto.Duas da manhã e sem saber o que escrever.
Estava tudo calmo, nada se mexia e apenas se ouvia o respirar leve da cidade.
Duas e meia da manhã e ainda sem saber o que escrever. A caneta andava de um lado para o outro na sua mão, o caderno estava pousado na cama com as folhas em branco e uma tela preta havia atravessado a sua mente. As suas pernas moviam-se debaixo do lençol ansiosas, as mãos começavam a transpirar e a caneta escorregava. Um calor intenso percorria-lhe o pescoço e descia até às pernas. A impaciência era grande e a necessidade de o fazer ainda maior. O calor abafado não ajudava e os olhos também começavam a pesar.
Tinha que escrever! Ela sentia-o e por isso não conseguia largar a caneta nem deixar de fixar o caderno. A caneta estava pousada na folha, mas esta continuava em branco. A mão não se mexia e ela esperava ansiosamente que as letras se começassem a desenhar e o texto a formar-se, mas o que existia era apenas um cadeeiro de luz fraca, ela e um silêncio que escorria nas paredes, que preenchia o quarto e a sua mente.
Adormeceu sobre o caderno. Esta noite não o conseguiu, tinha que tentar outra vez. Não podia desistir. Ela sabia que existia, ela sentia... Era forte, tão forte que a deixava de rastos. Não conseguia e sentia-se mal. A força estava dentro dela, mas como conseguir transpô-la no papel?
Iria esperar que o dia de amanhã corresse para que a noite se exibisse.
Iria passar todo o dia à espera. Esperaria ansiosamente pela noite, para tentar mais uma vez. Apenas na noite.
[Não tenho andado em bons dias de escrita e como outro dia descobri mais uma pastinha com os meus escritos, resolvi mostar-vos este porque se adequa ao que ando a sentir. (Se bem que a noite já perdeu um pouco dessa magia.) O texto não tinha título e não sei qual lhe pôr e, infelizmente, também não tinha data marcada na folha, todavia presumo que seja perto de 2003.]
Estava tudo calmo, nada se mexia e apenas se ouvia o respirar leve da cidade.
Duas e meia da manhã e ainda sem saber o que escrever. A caneta andava de um lado para o outro na sua mão, o caderno estava pousado na cama com as folhas em branco e uma tela preta havia atravessado a sua mente. As suas pernas moviam-se debaixo do lençol ansiosas, as mãos começavam a transpirar e a caneta escorregava. Um calor intenso percorria-lhe o pescoço e descia até às pernas. A impaciência era grande e a necessidade de o fazer ainda maior. O calor abafado não ajudava e os olhos também começavam a pesar.
Tinha que escrever! Ela sentia-o e por isso não conseguia largar a caneta nem deixar de fixar o caderno. A caneta estava pousada na folha, mas esta continuava em branco. A mão não se mexia e ela esperava ansiosamente que as letras se começassem a desenhar e o texto a formar-se, mas o que existia era apenas um cadeeiro de luz fraca, ela e um silêncio que escorria nas paredes, que preenchia o quarto e a sua mente.
Adormeceu sobre o caderno. Esta noite não o conseguiu, tinha que tentar outra vez. Não podia desistir. Ela sabia que existia, ela sentia... Era forte, tão forte que a deixava de rastos. Não conseguia e sentia-se mal. A força estava dentro dela, mas como conseguir transpô-la no papel?
Iria esperar que o dia de amanhã corresse para que a noite se exibisse.
Iria passar todo o dia à espera. Esperaria ansiosamente pela noite, para tentar mais uma vez. Apenas na noite.
[Não tenho andado em bons dias de escrita e como outro dia descobri mais uma pastinha com os meus escritos, resolvi mostar-vos este porque se adequa ao que ando a sentir. (Se bem que a noite já perdeu um pouco dessa magia.) O texto não tinha título e não sei qual lhe pôr e, infelizmente, também não tinha data marcada na folha, todavia presumo que seja perto de 2003.]
quarta-feira, junho 22, 2005
Uma noite
Os seus pés hesitavam em subir os degraus da escada de caracol. Ele estava lá em cima, sentado na cama, virado para a parede à espera dela. Ela sentia-o entristecer ainda antes de o avistar. Demorou-se em passos pequenos a subir as escadas, no último degrau parou. Parou a olhá-lo. Estava encurvado e as suas mãos continuavam a segurar a cabeça como há minutos quando a havia sentido sair. Pousou levemente a mochila no chão, descalçou as sabrinas e começou a caminhar… pé ante pé, sem pressa, num cuidado intenso preocupado com o ruído. Queria conservar o silêncio, não para surpreendê-lo porque sabia que a sua presença lhe chegava aos sentidos, mas para eternizar o momento nos sons mudos que cresciam no silêncio. Aproximou-se da cama, deixou-se apoiar suavemente nos joelhos e chegou-se a ele. Com receio estendeu a mão e acariciou-lhe a cabeça rapada. Ele virou-se num movimento demorado e fitou com profundidade os seus grandes olhos brilhantemente castanhos. Olharam-se durante uns longos minutos e conversaram, assim, em silêncio. Partilharam emoções de boca fechada e entenderam-se sem linguagem palavrada. Um beijo profundamente sentido quebrou a linha do olhar e lançou-os delicadamente nos lençóis da cama. Os lábios dele percorriam-lhe o pescoço e o peito numa suavidade que saboreava. Em movimentos sensuais as mãos dela acariciavam-lhe a careca tão apreciada e descendo pelo corpo apertavam os dedos contra as costas dele. As roupas iam deslizando pela cama e as pernas moviam-se, entrelaçavam-se, as dele nas dela. A pele pálida dos dois confundia-se, o suor misturava-se e os corpos uniam-se. Os movimentos da paixão cresciam, iluminados pela vela repetidamente acesa a cada noite como uma espécie de lembrança, e cuja chama crescia como que alimentada da energia que unia os dois amantes. Amaram-se apaixonadamente toda a noite e, ainda antes dos raios do sol poderem intensificar-se, ela vestiu-se, pegou nas suas coisas e partiu definitivamente, deixando apenas a vela e a memória de uma noite em que ele a sentiu apaixonar-se.
20 de Junho de 2005
20 de Junho de 2005
sábado, junho 18, 2005
Hoje, matei-me
É hoje que me mato. Falta-me pensar numa forma de o fazer. A ideia dos compridos associo-a a uma morte indesejada com o objectivo de chamar a atenção. A ideia de me atirar para debaixo de um comboio não me satisfaz; é demasiado rápida, não se sente a dor como se deveria. Quero sentir a vida esvair-se do meu corpo. Quero sentir as picadas da morte roçarem a minha carne até aprofundarem a ferida da dor. Quero morrer de dor! Há quem diga que ninguém assim morre, mas eu quero. E como é hoje que o quero, vou contrariar os instintos que se apoderaram de mim por todos estes anos fétidos e vou ter iniciativa. Sim. Vou começar algo e vou acabá-lo. Vou ter a força de vontade para elevar o meu espírito e materializar uma ideia, escapando assim do mundo ilusório em que sempre vivi; um mundo de pensamentos, teorias, intenções, suposições…! Vou construir algo. E vai ser algo que vos vou poder mostrar. A seu tempo tudo se irá compor. Hão-de ver a minha energia numa criação minha. Numa criação minha, minha! Eu vou fazer algo… nem acredito nisto. Não posso perder tempo novamente com divagações. Vamos ao que interessa: a forma de me matar. Será uma criação vermelha, pintada com o meu sangue. A ideia de cortar os pulsos não me sai de mente, mas não é original, vão desprezar a minha criação por ser repetida. Como me mato então? Algo que doía muito. Tem que ser com dor! Não pode ser de outra forma porque é de dor que quero morrer. Já o disse e repito.
Posso escrever Dor bem fundo na barriga e deixar o sangue escorrer até o corpo secar. Assim alio o desejo de morrer de dor à vontade fatal de escrever. A escrita da morte em mim. Eis uma ideia bonita. A navalha está já ao meu lado, juntamente com os meus outros instrumentos: a caneta e o papel. Tenho o cenário perfeito! Um chão frio de cimento carregadamente cinzento e nada e ninguém ao meu lado exceptuando o meu consolo: os meus instrumentos. Mato-me com o que mais gosto. Mato-me da maneira que quero e realizando um desejo velho que havia guardado há já um tempo na gaveta dos pendentes.
Deixei as roupas à porta de entrada. Sempre gostei da arte do nu e é assim que me vão fotografar quando me encontrarem. Vai ser tão belo... Espero poder apreciar esse momento do outro lado, como lhe chamam. Vão me encontrar na posição em que nasci, escondendo a Dor em mim, assim abraçada pelos meus braços, guardando-a bem junto ao peito que deixará de respirar em breve. Sim, vai ser a minha criação final, mas vai ser a melhor que alguma vez terei feito. Duvido que conseguisse, algum dia, fazer alguma que superasse esta que estou prestes a começar. Assim, despeço-me deste esterco numa beleza jamais vista por mim e pelos que me conhecem. Estou ansiosa por ver as expressões nas caras deles. Não que isso seja muito importante, mas quero ver reacções; é sempre bonito.
Inspiro fundo… não por receio, mas por ansiedade. Não paro de repetir mentalmente que vou, finalmente, iniciar e finalizar algo com as minhas próprias mãos. Pego na caneta para desenhar as letras da Dor na minha barriga. Uma letra seguida da outra com espaço suficiente para não se atropelarem, para se distinguirem maravilhosamente umas das outras. A tinta sinto-a fria e é um primeiro sinal de que a minha criação começou. O papel ao meu lado está preenchido como há muito já não estava. Este dia é meu! A caneta já não treme nos meus dedos, está firme e desenha. A minha caneta desenha! Já não me lembrava de tal coisa. Estou prestes a emocionar-me, mas tenho que continuar, tenho que combater os meus instintos por mais fortes que eles aparentem ser. Pego na navalha com cuidado para ter a certeza que não me engano em nenhum passo. Levanto-a, agarro-a com firmeza e começo a desenhar com determinação. Já dói… Dói e os meus lábios erguem-se num ligeiro sorriso. O D está desenhado e sangra. O o ganha vida e seguidamente o r. O sangue escorre lentamente da barriga para as virilhas e daí para o centro de fertilidade. É tempo de me deitar… A caneta ensanguentada está sobre o papel que agora vive. Deito-me, abraço-me e fecho os olhos a metade. A dor torna-se aguda e invade-me o corpo como nunca. Sinto as feridas abrirem-se como quem se encontra no processo de nascimento. Gostava de poder descrever esta dor por que tanto ansiei, mas é demasiado real para a retratar só com palavras. A dor é tanta que de mim e dela já não há linha separadora. Somos uma. Unidas para a morte que se avizinha. Aos meus olhos o cinzento carregado, nos meus ouvidos o zumbido do silêncio e do escorrer do sangue. Sorrio… eu sorrio! Olho-me o melhor possível para que possa fechar os olhos e ficar com a imagem da minha criação gravada nas pálpebras. Sei que a minha expressão facial é a de alguém que dorme tranquilamente um sono de satisfação. Consegui finalmente… Quem me achou incapaz de fazer algo por mim? Mais cedo ou mais tarde todos acabam por encontrar o seu momento de felicidade. Eu encontrei-o hoje.
Posso escrever Dor bem fundo na barriga e deixar o sangue escorrer até o corpo secar. Assim alio o desejo de morrer de dor à vontade fatal de escrever. A escrita da morte em mim. Eis uma ideia bonita. A navalha está já ao meu lado, juntamente com os meus outros instrumentos: a caneta e o papel. Tenho o cenário perfeito! Um chão frio de cimento carregadamente cinzento e nada e ninguém ao meu lado exceptuando o meu consolo: os meus instrumentos. Mato-me com o que mais gosto. Mato-me da maneira que quero e realizando um desejo velho que havia guardado há já um tempo na gaveta dos pendentes.
Deixei as roupas à porta de entrada. Sempre gostei da arte do nu e é assim que me vão fotografar quando me encontrarem. Vai ser tão belo... Espero poder apreciar esse momento do outro lado, como lhe chamam. Vão me encontrar na posição em que nasci, escondendo a Dor em mim, assim abraçada pelos meus braços, guardando-a bem junto ao peito que deixará de respirar em breve. Sim, vai ser a minha criação final, mas vai ser a melhor que alguma vez terei feito. Duvido que conseguisse, algum dia, fazer alguma que superasse esta que estou prestes a começar. Assim, despeço-me deste esterco numa beleza jamais vista por mim e pelos que me conhecem. Estou ansiosa por ver as expressões nas caras deles. Não que isso seja muito importante, mas quero ver reacções; é sempre bonito.
Inspiro fundo… não por receio, mas por ansiedade. Não paro de repetir mentalmente que vou, finalmente, iniciar e finalizar algo com as minhas próprias mãos. Pego na caneta para desenhar as letras da Dor na minha barriga. Uma letra seguida da outra com espaço suficiente para não se atropelarem, para se distinguirem maravilhosamente umas das outras. A tinta sinto-a fria e é um primeiro sinal de que a minha criação começou. O papel ao meu lado está preenchido como há muito já não estava. Este dia é meu! A caneta já não treme nos meus dedos, está firme e desenha. A minha caneta desenha! Já não me lembrava de tal coisa. Estou prestes a emocionar-me, mas tenho que continuar, tenho que combater os meus instintos por mais fortes que eles aparentem ser. Pego na navalha com cuidado para ter a certeza que não me engano em nenhum passo. Levanto-a, agarro-a com firmeza e começo a desenhar com determinação. Já dói… Dói e os meus lábios erguem-se num ligeiro sorriso. O D está desenhado e sangra. O o ganha vida e seguidamente o r. O sangue escorre lentamente da barriga para as virilhas e daí para o centro de fertilidade. É tempo de me deitar… A caneta ensanguentada está sobre o papel que agora vive. Deito-me, abraço-me e fecho os olhos a metade. A dor torna-se aguda e invade-me o corpo como nunca. Sinto as feridas abrirem-se como quem se encontra no processo de nascimento. Gostava de poder descrever esta dor por que tanto ansiei, mas é demasiado real para a retratar só com palavras. A dor é tanta que de mim e dela já não há linha separadora. Somos uma. Unidas para a morte que se avizinha. Aos meus olhos o cinzento carregado, nos meus ouvidos o zumbido do silêncio e do escorrer do sangue. Sorrio… eu sorrio! Olho-me o melhor possível para que possa fechar os olhos e ficar com a imagem da minha criação gravada nas pálpebras. Sei que a minha expressão facial é a de alguém que dorme tranquilamente um sono de satisfação. Consegui finalmente… Quem me achou incapaz de fazer algo por mim? Mais cedo ou mais tarde todos acabam por encontrar o seu momento de felicidade. Eu encontrei-o hoje.
quarta-feira, junho 15, 2005
A espera
Uma camisola colorida
Umas calças confortáveis
Dois pés de meias frios
Uma mão quente outra fria
Olhos cansados expectantes
Os óculos repousam no nariz
A boca fina mais pequena ainda
Bochechas trincadas por dentro
Movimentos parados
Uma música vibrante
No coração a bater
Um peito que sobe e desce
Acompanhado da barriga
As pernas cruzadas
E os ombros caídos
Olhos abertos caminhantes
Dedos separados impacientando
Movimentos de silêncio
Parados na espera de escrever
Umas calças confortáveis
Dois pés de meias frios
Uma mão quente outra fria
Olhos cansados expectantes
Os óculos repousam no nariz
A boca fina mais pequena ainda
Bochechas trincadas por dentro
Movimentos parados
Uma música vibrante
No coração a bater
Um peito que sobe e desce
Acompanhado da barriga
As pernas cruzadas
E os ombros caídos
Olhos abertos caminhantes
Dedos separados impacientando
Movimentos de silêncio
Parados na espera de escrever
quarta-feira, maio 25, 2005
Cansaço

(olhares.com)
"O que há em mim é sobretudo cansaço -
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço. (...)"
Álvaro de Campos
segunda-feira, maio 16, 2005
Carta de um suicídio
Não quero começar com porques como toda a gente faz. Queria começar com outras palavras para ser diferente. E é disso que eu tanto necessito. Diferença. Diferença sem escândalo e sem me sentir mal com isso. Diferença disfarçada, só dentro de mim. Os olhos que passem por mim, as bocas que falem de mim, mas que eu não os veja nem os ouça. Não vos quero sentir em mim, por isso afastem-se quando me falarem. Os pensamentos são fontes de energia, sabiam? Quanto mais longe estiverem, melhor. Não vos sinto. Não quero. Há quem fale em fossos; entre o “eu” e o “vós”. Prefiro a palavra abismo. Dá-me uma ideia de maior distância. De distância mortal. Eu tenho o meu. E pretendo que ele cresça bem fundo... Até um grito se perder nas paredes. Não quero aproximação. Por isso não se atrevam a construir pontes. Não que se importem em fazê-lo, mas quando se lembrarem já estão avisados. Afastem-se que é o melhor a fazer. Não sou coitada. Sou suicída. Deixem-mo ser. Só peço que se afastem e me deixem matar. Não quero pena nem compaixão. Não faço isto com essa intenção. É tão difícil de perceber? Nunca tive amor em mim e, sem vos querer chocar propositadamente, vocês também não. Amor... Uma palavra viva para um sentimento morto. Aqui! Noutros mundos talvez seja vivo. Aqui nunca nasceu; por isso, nem morto está. É inexistente. Não amem porque não são capazes. Nem pensem que são amados. Ilusão é uma perda de tempo. Mas sou eu quem fala: a suicída. Por isso não me escutem. Não pretendo pregar. É uma espécie de aviso. Só para não dizerem que não me despedi. Não é que sinta necessidade de vos responder aos caprichos. É apenas ao meu que respondo. O capricho rebuscado de escrever. Ai... a escrita é a minha pá. Sem ela o meu suicído seria tão mais difícil. Obrigada. Ajudas-me a cavar o abismo e eu acaricio-te. Troca justa diria eu. Só quero o afastamento. Mas de ti isso é impossível. Sem ti morreria para a existência própria. Não imagino sequer um algo em mim sem ti. És a minha vida. Mas tendo em conta que vida é o encarne da alma e que só assim vivo, és mais que minha vida, és a minha alma. Talvez seja isto que eu queria verdadeiramente dizer. O entorpecimento da mente dificulta-me a expressão. Desculpa-me. Eu tento, mas as névoas adensam-se tanto...! Inspiro, expiro, suspiro... mas o peso continua. Perdoa-me a minha fragilidade. Perdoa-me o ser fraco. Ajuda-me a alimentar a alma. No fundo és tu própria que cresces se assim for. Sim... eu sei que sou suicída, mas só para os outros. Para ti quero viver. Abraça-me, bafeja-me que sem ti sou inconcebível.
domingo, maio 15, 2005
Plof!
segunda-feira, maio 09, 2005
O que eles escreveram sobre Fernando Pessoa
"Pessoa, seu primeiro leitor, não duvidou de sua realidade. Reis e Campos disseram o que talvez ele nunca diria. Ao contradizê-lo, expressaram-no; ao expressá-lo, obrigaram-no a inventar-se. Escrevemos para ser o que somos ou para ser aquilo que não somos. Em um ou em outro caso, nos buscamos a nós mesmos. E se temos a sorte de encontrar-nos - sinal de criação - descobriremos que somos um desconhecido. Sempre o outro, sempre ele, inseparável, alheio, com teu rosto e o meu, tu sempre comigo e só".
(Otávio Paz, O Desconhecido de Si Mesmo: Fernando Pessoa in Signos Em Rotação, col. Debates, nº 48)
(Otávio Paz, O Desconhecido de Si Mesmo: Fernando Pessoa in Signos Em Rotação, col. Debates, nº 48)
quarta-feira, maio 04, 2005
Evasão

http://www3.wincustomize.com/
Vou ter com as estrelas
Vou voar daqui para fora
Vou falar com elas
Que já passa da hora...
quinta-feira, abril 28, 2005
Dimensões
Um ímpeto move-me à escrita
E dele alimento a caneta
Até que os olhos se perdem
No imenso branco do papel
Vagueiam perdidos no pensamento
Alheados do brusco sentir exterior
Que anestesia fortemente a alma
Tal é o choque do subtil com o real
Um real indefinido a todos
Porque vive de si para si
Reflecte-se em si mesmo
E a dimensão torna-se outra
O choque é então ilusão
Não chega a existir
Porque os diferentes reais
Jamais se encontrarão
Vivo assim num despertar
E adormecer ilusório
O exterior não existe em mim
Só o interior me engole
É o exterior ilusão?
Como é ilusão o choque de reais?
Do meu real com o real em si
Que é real e ninguém conhece
27-04-05
E dele alimento a caneta
Até que os olhos se perdem
No imenso branco do papel
Vagueiam perdidos no pensamento
Alheados do brusco sentir exterior
Que anestesia fortemente a alma
Tal é o choque do subtil com o real
Um real indefinido a todos
Porque vive de si para si
Reflecte-se em si mesmo
E a dimensão torna-se outra
O choque é então ilusão
Não chega a existir
Porque os diferentes reais
Jamais se encontrarão
Vivo assim num despertar
E adormecer ilusório
O exterior não existe em mim
Só o interior me engole
É o exterior ilusão?
Como é ilusão o choque de reais?
Do meu real com o real em si
Que é real e ninguém conhece
27-04-05
sexta-feira, abril 22, 2005
Re-definições
"Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter o sorriso maior."
Da Weasel [com Manel Cruz, vocalista dos Pluto] - Casa (Vem fazer de conta)
Quando queremos nós ter o sorriso maior."
Da Weasel [com Manel Cruz, vocalista dos Pluto] - Casa (Vem fazer de conta)
quarta-feira, abril 20, 2005
Sobre livros
1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um de páginas em branco que pudesse ser rabiscado à vontade porque a ideia de algo permanente não me agrada.
2 -Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Penso que em relação a isso costumo afinizar-me muito com as personagens que gosto. Por vezes, adopto expressões semelhantes sem me aperceber; sou influenciada sem querer, mas por poucos momentos. No entanto, não tenho nenhum em especial que me "apanhe".
3 -Qual foi o último livro que compraste?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
4 -Qual o último livro que leste?
Por inteiro, penso que foi "Harry Potter e a Ordem da Fénix" - J.K. Rowling
5 - Que livros, estás a ler?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
"Choque do Futuro" - Alvin Toffler
6 -Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
"O Rosto e as Máscaras" - Fernando Pessoa (antologia cronológica, organizada e prefaciada por David Mourão-Ferreira)
"Os Filhos da Droga" - Christiane F.
"A minha Melhor Amiga" - Anne-Sophie Brasme
Um caderno em branco (e respectiva caneta ou lápis)
Um desconhecido, obrigatoriamente, de poesia
7 -Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Talvez as três primeiras que lerem isto serão essas três pessoas :) Mas vou passa-lo a quem quiser lê-lo; está à vista de todos que por aqui passeiam.
[Achei engraçado este questionário que vi nos blogs Tá de noite e My Soul Pieces e copiei-o para aqui. Pode ser que vos interesse lê-lo e copiar para os vossos Blogs. Sempre se fica a conhecer um bocadinho mais de quem o responde.]
Um de páginas em branco que pudesse ser rabiscado à vontade porque a ideia de algo permanente não me agrada.
2 -Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Penso que em relação a isso costumo afinizar-me muito com as personagens que gosto. Por vezes, adopto expressões semelhantes sem me aperceber; sou influenciada sem querer, mas por poucos momentos. No entanto, não tenho nenhum em especial que me "apanhe".
3 -Qual foi o último livro que compraste?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
4 -Qual o último livro que leste?
Por inteiro, penso que foi "Harry Potter e a Ordem da Fénix" - J.K. Rowling
5 - Que livros, estás a ler?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
"Choque do Futuro" - Alvin Toffler
6 -Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
"O Rosto e as Máscaras" - Fernando Pessoa (antologia cronológica, organizada e prefaciada por David Mourão-Ferreira)
"Os Filhos da Droga" - Christiane F.
"A minha Melhor Amiga" - Anne-Sophie Brasme
Um caderno em branco (e respectiva caneta ou lápis)
Um desconhecido, obrigatoriamente, de poesia
7 -Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Talvez as três primeiras que lerem isto serão essas três pessoas :) Mas vou passa-lo a quem quiser lê-lo; está à vista de todos que por aqui passeiam.
[Achei engraçado este questionário que vi nos blogs Tá de noite e My Soul Pieces e copiei-o para aqui. Pode ser que vos interesse lê-lo e copiar para os vossos Blogs. Sempre se fica a conhecer um bocadinho mais de quem o responde.]
terça-feira, abril 19, 2005
Nota
Este é só um pequeno post para agradecer aqueles que deram uma opinião no post anterior e para anunciar que o título da peça foi votado e escolhido segunda-feira; a peça intitula-se, agora, por "Realidade fictícia". A meu ver, é um título interessante, embora não fosse o meu preferido. De qualquer das maneiras, entre este e um outro que estava com grande destaque "Eles andam aí!", fico satisfeita por ter sido o actual o mais votado.
domingo, abril 17, 2005
Preciso duma opinião
Eu tenho aulas de teatro na escola e andamos a ensaiar uma peça para apresentar no fim do ano, só que não sabemos que título lhe havemos de dar, por isso, vou tentar resumir o melhor que posso (apesar de ainda não ter a peça toda) e dar-vos a escolher alguns títulos que uns colegas meus proporam de forma a ajudarem-nos :)
Muito bem... A peça é basicamente sobre os diferentes grupos que existem entre os adolescentes e os respectivos problemas. Existem as betas, os noctívagos, os dreads, os cromos da Net, os góticos, um gay, um traficante de exames, uma intelectual e os freaks. Os grupos vivem uma vida que os pode levar a enfrentar sérios problemas no futuro. Eu interpreto duas personagens: a Luana e a Lipa. A primeira está inserida no grupo dos góticos, constituido pelo namorado Roger, a amiga da banda Verónica, a extrema Erika e a Paloma e caracteriza-se pelo facto de serem anti-sociais e nem sequer conseguirem criar laços fortes de amizade dentro do próprio grupo. A Lipa faz parte do grupo dos noctívagos, constituido pela melhor amiga Kak's e pelo irmão Pikas que, por sua vez, vai aliciar a irmã para o mundo da noite repleto de drogas, álcool e rapazes. No meio de toda esta "anarquia juvenil" andam uns ET's que aterram no campo de basquetebol da escola no início da peça e que são invisíveis devido a um dispositivo. Estes decidem estudar as crias da espécie porque lhes resta pouco tempo naquele planeta. Porém, à medida que o estudo avança, levados pelo espanto das barbaridades com que se deparam, estes vêem-se obrigados a desligar o dispositivo de invisiblidade e a intervir na vida de cada adolescente, de forma a, mostrar-lhes o futuro. Uma vez visto o futuro pelo adolescente este, de regresso ao presente e sem se aperceber do que acabara de acontecer, conscencializa-se e tenta deixar algumas coisas que prejudicavam a sua vida, como a droga, a vergonha (ex. dos cromos e do gay) e outras coisas mais que iriam destruir o seu futuro. Assim sendo (espero ter-me feito entender no resumo) os títulos propostos foram estes:
Eles andam aí! / Eles andem aí! (ou um ou outro)
Efeito boomerang
Efeito extraterrestre
Só não vê quem não quer
O código da adolescência / O Código Adolescente (ou um ou outro)
Afinal são nossos amigos
O nosso reflexo
Nós somos piores
A nossa sombra
Ligação extraterrestre
Uma espécie aparte
Acreditas em ET's?
Afinal eles existem
Tudo louco
Atinem, pá!
O abc da adolescência
Uma peça do outro mundo
O Senhor dos ET's
Os ET's e os prisioneiros da adolescência (à estilo Harry Potter)
O futuro é agora
Realidade fictícia
Saber quem somos (ideia do meu irmão)
Muito bem... A peça é basicamente sobre os diferentes grupos que existem entre os adolescentes e os respectivos problemas. Existem as betas, os noctívagos, os dreads, os cromos da Net, os góticos, um gay, um traficante de exames, uma intelectual e os freaks. Os grupos vivem uma vida que os pode levar a enfrentar sérios problemas no futuro. Eu interpreto duas personagens: a Luana e a Lipa. A primeira está inserida no grupo dos góticos, constituido pelo namorado Roger, a amiga da banda Verónica, a extrema Erika e a Paloma e caracteriza-se pelo facto de serem anti-sociais e nem sequer conseguirem criar laços fortes de amizade dentro do próprio grupo. A Lipa faz parte do grupo dos noctívagos, constituido pela melhor amiga Kak's e pelo irmão Pikas que, por sua vez, vai aliciar a irmã para o mundo da noite repleto de drogas, álcool e rapazes. No meio de toda esta "anarquia juvenil" andam uns ET's que aterram no campo de basquetebol da escola no início da peça e que são invisíveis devido a um dispositivo. Estes decidem estudar as crias da espécie porque lhes resta pouco tempo naquele planeta. Porém, à medida que o estudo avança, levados pelo espanto das barbaridades com que se deparam, estes vêem-se obrigados a desligar o dispositivo de invisiblidade e a intervir na vida de cada adolescente, de forma a, mostrar-lhes o futuro. Uma vez visto o futuro pelo adolescente este, de regresso ao presente e sem se aperceber do que acabara de acontecer, conscencializa-se e tenta deixar algumas coisas que prejudicavam a sua vida, como a droga, a vergonha (ex. dos cromos e do gay) e outras coisas mais que iriam destruir o seu futuro. Assim sendo (espero ter-me feito entender no resumo) os títulos propostos foram estes:
Eles andam aí! / Eles andem aí! (ou um ou outro)
Efeito boomerang
Efeito extraterrestre
Só não vê quem não quer
O código da adolescência / O Código Adolescente (ou um ou outro)
Afinal são nossos amigos
O nosso reflexo
Nós somos piores
A nossa sombra
Ligação extraterrestre
Uma espécie aparte
Acreditas em ET's?
Afinal eles existem
Tudo louco
Atinem, pá!
O abc da adolescência
Uma peça do outro mundo
O Senhor dos ET's
Os ET's e os prisioneiros da adolescência (à estilo Harry Potter)
O futuro é agora
Realidade fictícia
Saber quem somos (ideia do meu irmão)
terça-feira, abril 12, 2005
Devaneio
A verdade é que a provável bipolaridade do meu ser pode ser explicada pela indefinição do mesmo.
segunda-feira, abril 11, 2005
Ecoponto doméstico

"Os ecopontos podem ser adquiridos nos super e hipermercados, nomeadamente, Jumbo, Continente, Feira Nova, Modelo, etc. a um preço que deverá rondar cerca de 10/12 euros.
(...)
Os ecopontos domésticos são disponibilizados incluindo um guia de reciclagem de edição e responsabilidade da Sociedade Ponto Verde, que contém as regras de separação de embalagens, para facilitar ainda mais a tarefa.
(...)
Estes ecopontos, (...) dispõem de três divisões e permitem separar num só contentor os diferentes materiais, à semelhança do que acontece com os ecopontos de rua. Ou seja, possuem uma divisão para o plástico e o metal, outra para o papel/cartão (especialmente concebida para o formato dos jornais e revistas) e finalmente uma para o vidro."
Para mais informações visitem o link: http://www.pontoverde.pt/sala_imprensa/sala_imprensa_press63.html
Porque nunca é demais lembrar...
E para que conste, também ainda tenho que comprar um :$ (só porque acho mais eficiente em comparação com as sacas penduradas na cozinha)
Sempre pensei que me preocupava com os males feitos ao meio ambiente, até me aperceber que nem a separação de lixo em casa fazia. Ora bem, quem se preocupa de corpo e alma, faz algo pela sua causa, não é verdade? E muitos podem associar, apenas, as fábricas à poluição, mas penso que todos tomamos consciência que não parte exclusivamente dos outros prejudicar ou ajudar o meio ambiente, não é? Afinal de contas, nós também não poluímos? Se de cada vez que fossemos ao supermercado, olhassemos antes para o rótulo e verificassemos se o produto é um forte contaminador para o ambiente, em vez de olharmos exclusivamente para a marca e os "afins" que esta promete, estariamos a contribuir para vivermos num mundo mais fresco. E quem diz ir ao supermercado, diz outras coisas. A separação de lixo em casa é uma delas. Não custa nada, pois não? Quero dizer... é preciso ter cuidado com o que se separa porque nem tudo pode ser reciclado, mas há guias que nos informam e sites como o ponto verde. Penso que não custa nada tentar reanimar o nosso planeta. Afinal, é o único que nós temos.
Quando penso no mundo actual, a ideia imediata (talvez por ser citadina) que me vem à cabeça é o fumo, o barulho, o stress e, consequência disso, pessoas rezingonas, o trânsito, edifícos, cruzamentos, buzinas, passadeiras, alcatrão, preto... Por vezes dá vontade de dar um berro seco e esperar que tudo pare, tal como nos filmes. Vê-se apenas o vácuo da vida das pessoas. Serão felizes? Alguns podem julgar que sim. Talvez o sejam, talvez não. Será que se lembram de pensar nisso sequer? Para a frente, para trás... para ali, para acolá... Agora, neste instante, atrasos... esgotamento... a sucção da vida. Cansaço... "Um supremíssimo cansaço, íssimo, íssimo, íssimo, cansaço...".
Talvez não sejam todos assim. Mas é essa a imagem e a sensação que tenho quando penso neste mundo. Sim há o verde, os montes, o azul, os rios... há o riso, o sorriso... Há quem os procure? Agora, talvez mais. Porque eu acredito que cada vez mais pessoas se apercebem o que está a acontecer ao planeta. Mais e mais pessoas se apercebem e sentem que a cidade satura tudo em si e ao seu redor mais próximo. Tentam, agora, uma forma de evasão da agitação diária. Eu que ainda sou jovem e não sofro dum mal desses ainda muito grande (penso eu), sinto necessidade de respirar. Assim, o ar puro, que por vezes, posso sentir em Esposende. Perto da praia, da maresia, da brisa fresca... é tudo tão suave e tão bom...
Talvez esteja a divagar demasiado, mas a verdade é que sinto saudades de sentir. Sinto-me anestesiada pela cidade (que até é pequena). Precisava de algum espécie de meditação, descanso, sorriso puros e suaves como quem fica alegre alheadamente...
Todo este discurso... que não sei adjectivar, para apelar à sensibilidade de quem me lê e da minha própria. Nós somos Natureza, mas parece que tentamos rasgar o nosso cordão umbilical, ferindo o que eu considero a origem. Já são tão notáveis os danos que fizemos ao longo de séculos. Os ventos zangam-se, as águas agitam-se, a terra treme, as estações confundem-se... Não sentem? Contudo, nunca é tarde demais para nos preocuparmos e agirmos. Tentemos...
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