"Pessoa, seu primeiro leitor, não duvidou de sua realidade. Reis e Campos disseram o que talvez ele nunca diria. Ao contradizê-lo, expressaram-no; ao expressá-lo, obrigaram-no a inventar-se. Escrevemos para ser o que somos ou para ser aquilo que não somos. Em um ou em outro caso, nos buscamos a nós mesmos. E se temos a sorte de encontrar-nos - sinal de criação - descobriremos que somos um desconhecido. Sempre o outro, sempre ele, inseparável, alheio, com teu rosto e o meu, tu sempre comigo e só".
(Otávio Paz, O Desconhecido de Si Mesmo: Fernando Pessoa in Signos Em Rotação, col. Debates, nº 48)
segunda-feira, maio 09, 2005
quarta-feira, maio 04, 2005
Evasão

http://www3.wincustomize.com/
Vou ter com as estrelas
Vou voar daqui para fora
Vou falar com elas
Que já passa da hora...
quinta-feira, abril 28, 2005
Dimensões
Um ímpeto move-me à escrita
E dele alimento a caneta
Até que os olhos se perdem
No imenso branco do papel
Vagueiam perdidos no pensamento
Alheados do brusco sentir exterior
Que anestesia fortemente a alma
Tal é o choque do subtil com o real
Um real indefinido a todos
Porque vive de si para si
Reflecte-se em si mesmo
E a dimensão torna-se outra
O choque é então ilusão
Não chega a existir
Porque os diferentes reais
Jamais se encontrarão
Vivo assim num despertar
E adormecer ilusório
O exterior não existe em mim
Só o interior me engole
É o exterior ilusão?
Como é ilusão o choque de reais?
Do meu real com o real em si
Que é real e ninguém conhece
27-04-05
E dele alimento a caneta
Até que os olhos se perdem
No imenso branco do papel
Vagueiam perdidos no pensamento
Alheados do brusco sentir exterior
Que anestesia fortemente a alma
Tal é o choque do subtil com o real
Um real indefinido a todos
Porque vive de si para si
Reflecte-se em si mesmo
E a dimensão torna-se outra
O choque é então ilusão
Não chega a existir
Porque os diferentes reais
Jamais se encontrarão
Vivo assim num despertar
E adormecer ilusório
O exterior não existe em mim
Só o interior me engole
É o exterior ilusão?
Como é ilusão o choque de reais?
Do meu real com o real em si
Que é real e ninguém conhece
27-04-05
sexta-feira, abril 22, 2005
Re-definições
"Nunca vamos ter o amor a rir para nós
Quando queremos nós ter o sorriso maior."
Da Weasel [com Manel Cruz, vocalista dos Pluto] - Casa (Vem fazer de conta)
Quando queremos nós ter o sorriso maior."
Da Weasel [com Manel Cruz, vocalista dos Pluto] - Casa (Vem fazer de conta)
quarta-feira, abril 20, 2005
Sobre livros
1- Não podendo sair do Fahrenheit 451, que livro quererias ser?
Um de páginas em branco que pudesse ser rabiscado à vontade porque a ideia de algo permanente não me agrada.
2 -Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Penso que em relação a isso costumo afinizar-me muito com as personagens que gosto. Por vezes, adopto expressões semelhantes sem me aperceber; sou influenciada sem querer, mas por poucos momentos. No entanto, não tenho nenhum em especial que me "apanhe".
3 -Qual foi o último livro que compraste?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
4 -Qual o último livro que leste?
Por inteiro, penso que foi "Harry Potter e a Ordem da Fénix" - J.K. Rowling
5 - Que livros, estás a ler?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
"Choque do Futuro" - Alvin Toffler
6 -Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
"O Rosto e as Máscaras" - Fernando Pessoa (antologia cronológica, organizada e prefaciada por David Mourão-Ferreira)
"Os Filhos da Droga" - Christiane F.
"A minha Melhor Amiga" - Anne-Sophie Brasme
Um caderno em branco (e respectiva caneta ou lápis)
Um desconhecido, obrigatoriamente, de poesia
7 -Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Talvez as três primeiras que lerem isto serão essas três pessoas :) Mas vou passa-lo a quem quiser lê-lo; está à vista de todos que por aqui passeiam.
[Achei engraçado este questionário que vi nos blogs Tá de noite e My Soul Pieces e copiei-o para aqui. Pode ser que vos interesse lê-lo e copiar para os vossos Blogs. Sempre se fica a conhecer um bocadinho mais de quem o responde.]
Um de páginas em branco que pudesse ser rabiscado à vontade porque a ideia de algo permanente não me agrada.
2 -Já alguma vez ficaste apanhadinha(o) por uma personagem de ficção?
Penso que em relação a isso costumo afinizar-me muito com as personagens que gosto. Por vezes, adopto expressões semelhantes sem me aperceber; sou influenciada sem querer, mas por poucos momentos. No entanto, não tenho nenhum em especial que me "apanhe".
3 -Qual foi o último livro que compraste?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
4 -Qual o último livro que leste?
Por inteiro, penso que foi "Harry Potter e a Ordem da Fénix" - J.K. Rowling
5 - Que livros, estás a ler?
"Viagens na minha Terra" - Almeida Garrett
"Choque do Futuro" - Alvin Toffler
6 -Cinco livros que levarias para uma ilha deserta.
"O Rosto e as Máscaras" - Fernando Pessoa (antologia cronológica, organizada e prefaciada por David Mourão-Ferreira)
"Os Filhos da Droga" - Christiane F.
"A minha Melhor Amiga" - Anne-Sophie Brasme
Um caderno em branco (e respectiva caneta ou lápis)
Um desconhecido, obrigatoriamente, de poesia
7 -Três pessoas a quem vais passar este testemunho e porquê?
Talvez as três primeiras que lerem isto serão essas três pessoas :) Mas vou passa-lo a quem quiser lê-lo; está à vista de todos que por aqui passeiam.
[Achei engraçado este questionário que vi nos blogs Tá de noite e My Soul Pieces e copiei-o para aqui. Pode ser que vos interesse lê-lo e copiar para os vossos Blogs. Sempre se fica a conhecer um bocadinho mais de quem o responde.]
terça-feira, abril 19, 2005
Nota
Este é só um pequeno post para agradecer aqueles que deram uma opinião no post anterior e para anunciar que o título da peça foi votado e escolhido segunda-feira; a peça intitula-se, agora, por "Realidade fictícia". A meu ver, é um título interessante, embora não fosse o meu preferido. De qualquer das maneiras, entre este e um outro que estava com grande destaque "Eles andam aí!", fico satisfeita por ter sido o actual o mais votado.
domingo, abril 17, 2005
Preciso duma opinião
Eu tenho aulas de teatro na escola e andamos a ensaiar uma peça para apresentar no fim do ano, só que não sabemos que título lhe havemos de dar, por isso, vou tentar resumir o melhor que posso (apesar de ainda não ter a peça toda) e dar-vos a escolher alguns títulos que uns colegas meus proporam de forma a ajudarem-nos :)
Muito bem... A peça é basicamente sobre os diferentes grupos que existem entre os adolescentes e os respectivos problemas. Existem as betas, os noctívagos, os dreads, os cromos da Net, os góticos, um gay, um traficante de exames, uma intelectual e os freaks. Os grupos vivem uma vida que os pode levar a enfrentar sérios problemas no futuro. Eu interpreto duas personagens: a Luana e a Lipa. A primeira está inserida no grupo dos góticos, constituido pelo namorado Roger, a amiga da banda Verónica, a extrema Erika e a Paloma e caracteriza-se pelo facto de serem anti-sociais e nem sequer conseguirem criar laços fortes de amizade dentro do próprio grupo. A Lipa faz parte do grupo dos noctívagos, constituido pela melhor amiga Kak's e pelo irmão Pikas que, por sua vez, vai aliciar a irmã para o mundo da noite repleto de drogas, álcool e rapazes. No meio de toda esta "anarquia juvenil" andam uns ET's que aterram no campo de basquetebol da escola no início da peça e que são invisíveis devido a um dispositivo. Estes decidem estudar as crias da espécie porque lhes resta pouco tempo naquele planeta. Porém, à medida que o estudo avança, levados pelo espanto das barbaridades com que se deparam, estes vêem-se obrigados a desligar o dispositivo de invisiblidade e a intervir na vida de cada adolescente, de forma a, mostrar-lhes o futuro. Uma vez visto o futuro pelo adolescente este, de regresso ao presente e sem se aperceber do que acabara de acontecer, conscencializa-se e tenta deixar algumas coisas que prejudicavam a sua vida, como a droga, a vergonha (ex. dos cromos e do gay) e outras coisas mais que iriam destruir o seu futuro. Assim sendo (espero ter-me feito entender no resumo) os títulos propostos foram estes:
Eles andam aí! / Eles andem aí! (ou um ou outro)
Efeito boomerang
Efeito extraterrestre
Só não vê quem não quer
O código da adolescência / O Código Adolescente (ou um ou outro)
Afinal são nossos amigos
O nosso reflexo
Nós somos piores
A nossa sombra
Ligação extraterrestre
Uma espécie aparte
Acreditas em ET's?
Afinal eles existem
Tudo louco
Atinem, pá!
O abc da adolescência
Uma peça do outro mundo
O Senhor dos ET's
Os ET's e os prisioneiros da adolescência (à estilo Harry Potter)
O futuro é agora
Realidade fictícia
Saber quem somos (ideia do meu irmão)
Muito bem... A peça é basicamente sobre os diferentes grupos que existem entre os adolescentes e os respectivos problemas. Existem as betas, os noctívagos, os dreads, os cromos da Net, os góticos, um gay, um traficante de exames, uma intelectual e os freaks. Os grupos vivem uma vida que os pode levar a enfrentar sérios problemas no futuro. Eu interpreto duas personagens: a Luana e a Lipa. A primeira está inserida no grupo dos góticos, constituido pelo namorado Roger, a amiga da banda Verónica, a extrema Erika e a Paloma e caracteriza-se pelo facto de serem anti-sociais e nem sequer conseguirem criar laços fortes de amizade dentro do próprio grupo. A Lipa faz parte do grupo dos noctívagos, constituido pela melhor amiga Kak's e pelo irmão Pikas que, por sua vez, vai aliciar a irmã para o mundo da noite repleto de drogas, álcool e rapazes. No meio de toda esta "anarquia juvenil" andam uns ET's que aterram no campo de basquetebol da escola no início da peça e que são invisíveis devido a um dispositivo. Estes decidem estudar as crias da espécie porque lhes resta pouco tempo naquele planeta. Porém, à medida que o estudo avança, levados pelo espanto das barbaridades com que se deparam, estes vêem-se obrigados a desligar o dispositivo de invisiblidade e a intervir na vida de cada adolescente, de forma a, mostrar-lhes o futuro. Uma vez visto o futuro pelo adolescente este, de regresso ao presente e sem se aperceber do que acabara de acontecer, conscencializa-se e tenta deixar algumas coisas que prejudicavam a sua vida, como a droga, a vergonha (ex. dos cromos e do gay) e outras coisas mais que iriam destruir o seu futuro. Assim sendo (espero ter-me feito entender no resumo) os títulos propostos foram estes:
Eles andam aí! / Eles andem aí! (ou um ou outro)
Efeito boomerang
Efeito extraterrestre
Só não vê quem não quer
O código da adolescência / O Código Adolescente (ou um ou outro)
Afinal são nossos amigos
O nosso reflexo
Nós somos piores
A nossa sombra
Ligação extraterrestre
Uma espécie aparte
Acreditas em ET's?
Afinal eles existem
Tudo louco
Atinem, pá!
O abc da adolescência
Uma peça do outro mundo
O Senhor dos ET's
Os ET's e os prisioneiros da adolescência (à estilo Harry Potter)
O futuro é agora
Realidade fictícia
Saber quem somos (ideia do meu irmão)
terça-feira, abril 12, 2005
Devaneio
A verdade é que a provável bipolaridade do meu ser pode ser explicada pela indefinição do mesmo.
segunda-feira, abril 11, 2005
Ecoponto doméstico

"Os ecopontos podem ser adquiridos nos super e hipermercados, nomeadamente, Jumbo, Continente, Feira Nova, Modelo, etc. a um preço que deverá rondar cerca de 10/12 euros.
(...)
Os ecopontos domésticos são disponibilizados incluindo um guia de reciclagem de edição e responsabilidade da Sociedade Ponto Verde, que contém as regras de separação de embalagens, para facilitar ainda mais a tarefa.
(...)
Estes ecopontos, (...) dispõem de três divisões e permitem separar num só contentor os diferentes materiais, à semelhança do que acontece com os ecopontos de rua. Ou seja, possuem uma divisão para o plástico e o metal, outra para o papel/cartão (especialmente concebida para o formato dos jornais e revistas) e finalmente uma para o vidro."
Para mais informações visitem o link: http://www.pontoverde.pt/sala_imprensa/sala_imprensa_press63.html
Porque nunca é demais lembrar...
E para que conste, também ainda tenho que comprar um :$ (só porque acho mais eficiente em comparação com as sacas penduradas na cozinha)
Sempre pensei que me preocupava com os males feitos ao meio ambiente, até me aperceber que nem a separação de lixo em casa fazia. Ora bem, quem se preocupa de corpo e alma, faz algo pela sua causa, não é verdade? E muitos podem associar, apenas, as fábricas à poluição, mas penso que todos tomamos consciência que não parte exclusivamente dos outros prejudicar ou ajudar o meio ambiente, não é? Afinal de contas, nós também não poluímos? Se de cada vez que fossemos ao supermercado, olhassemos antes para o rótulo e verificassemos se o produto é um forte contaminador para o ambiente, em vez de olharmos exclusivamente para a marca e os "afins" que esta promete, estariamos a contribuir para vivermos num mundo mais fresco. E quem diz ir ao supermercado, diz outras coisas. A separação de lixo em casa é uma delas. Não custa nada, pois não? Quero dizer... é preciso ter cuidado com o que se separa porque nem tudo pode ser reciclado, mas há guias que nos informam e sites como o ponto verde. Penso que não custa nada tentar reanimar o nosso planeta. Afinal, é o único que nós temos.
Quando penso no mundo actual, a ideia imediata (talvez por ser citadina) que me vem à cabeça é o fumo, o barulho, o stress e, consequência disso, pessoas rezingonas, o trânsito, edifícos, cruzamentos, buzinas, passadeiras, alcatrão, preto... Por vezes dá vontade de dar um berro seco e esperar que tudo pare, tal como nos filmes. Vê-se apenas o vácuo da vida das pessoas. Serão felizes? Alguns podem julgar que sim. Talvez o sejam, talvez não. Será que se lembram de pensar nisso sequer? Para a frente, para trás... para ali, para acolá... Agora, neste instante, atrasos... esgotamento... a sucção da vida. Cansaço... "Um supremíssimo cansaço, íssimo, íssimo, íssimo, cansaço...".
Talvez não sejam todos assim. Mas é essa a imagem e a sensação que tenho quando penso neste mundo. Sim há o verde, os montes, o azul, os rios... há o riso, o sorriso... Há quem os procure? Agora, talvez mais. Porque eu acredito que cada vez mais pessoas se apercebem o que está a acontecer ao planeta. Mais e mais pessoas se apercebem e sentem que a cidade satura tudo em si e ao seu redor mais próximo. Tentam, agora, uma forma de evasão da agitação diária. Eu que ainda sou jovem e não sofro dum mal desses ainda muito grande (penso eu), sinto necessidade de respirar. Assim, o ar puro, que por vezes, posso sentir em Esposende. Perto da praia, da maresia, da brisa fresca... é tudo tão suave e tão bom...
Talvez esteja a divagar demasiado, mas a verdade é que sinto saudades de sentir. Sinto-me anestesiada pela cidade (que até é pequena). Precisava de algum espécie de meditação, descanso, sorriso puros e suaves como quem fica alegre alheadamente...
Todo este discurso... que não sei adjectivar, para apelar à sensibilidade de quem me lê e da minha própria. Nós somos Natureza, mas parece que tentamos rasgar o nosso cordão umbilical, ferindo o que eu considero a origem. Já são tão notáveis os danos que fizemos ao longo de séculos. Os ventos zangam-se, as águas agitam-se, a terra treme, as estações confundem-se... Não sentem? Contudo, nunca é tarde demais para nos preocuparmos e agirmos. Tentemos...
sábado, abril 02, 2005
Tentativa falhada
Hoje quero ser escritora
Assim na noite calada
Que não é tão calada assim
Envolvida na música de piano
Tentando alhear-me ao ritmo da casa
Tento penetrar no mundo das palavras
É como adormecer
E acordar noutra dimensão:
A dimensão palavrada
A passagem é difícil:
O adormecer demora
E o acordar pouco acontece
É preciso ser consciente
Não deixar fluir o espírito
Não sair do corpo pensante
As emoções não escrevem
Escrevem-se emoções
De mão rija e não solta
De pensamento pensado
Porque divagado é sentido
Alia-se às emoções
Quero que esse repouse
No canto ameno do sono
Envolvido na névoa sentida
Porque não quero mais aquelas
Aquelas palavras descoordenadas
Sem nexo, com emoção em demasia
Enjoei, cansei e desisti
Porque queria ser escritora
À noite quando desperta o coração
Assim na noite calada
Que não é tão calada assim
Envolvida na música de piano
Tentando alhear-me ao ritmo da casa
Tento penetrar no mundo das palavras
É como adormecer
E acordar noutra dimensão:
A dimensão palavrada
A passagem é difícil:
O adormecer demora
E o acordar pouco acontece
É preciso ser consciente
Não deixar fluir o espírito
Não sair do corpo pensante
As emoções não escrevem
Escrevem-se emoções
De mão rija e não solta
De pensamento pensado
Porque divagado é sentido
Alia-se às emoções
Quero que esse repouse
No canto ameno do sono
Envolvido na névoa sentida
Porque não quero mais aquelas
Aquelas palavras descoordenadas
Sem nexo, com emoção em demasia
Enjoei, cansei e desisti
Porque queria ser escritora
À noite quando desperta o coração
sábado, março 26, 2005
Dejà vu
Julguei-te
E perdi-me
Na imensidão do teu olhar
Calei-te
E sofri
Com o teu silêncio prolongado
Engasguei-me
Comi palavras
E esqueci outras
Rodei
Sem preocupação
Insultei
Gritei
Desmedidamente
E fugi
Em mim
De mim
Tudo era eu
Não gostei
Mas fiz
Detestei
Mas repeti
E não te ouvi
E calei-te
E ousei julgar
Acusei-te
E não aceitei
As tuas palavras
Porque eram soltas
Porque magoavam
Esqueci
Beijei
E passei
Mas repeti...
Desculpa
É repetido
É cansativo
Mas a rua
O contacto
Tudo me droga lá fora
E perdi-me
Na imensidão do teu olhar
Calei-te
E sofri
Com o teu silêncio prolongado
Engasguei-me
Comi palavras
E esqueci outras
Rodei
Sem preocupação
Insultei
Gritei
Desmedidamente
E fugi
Em mim
De mim
Tudo era eu
Não gostei
Mas fiz
Detestei
Mas repeti
E não te ouvi
E calei-te
E ousei julgar
Acusei-te
E não aceitei
As tuas palavras
Porque eram soltas
Porque magoavam
Esqueci
Beijei
E passei
Mas repeti...
Desculpa
É repetido
É cansativo
Mas a rua
O contacto
Tudo me droga lá fora
Poetismo
Uma ideia que tive há pouco tempo levou-me à criação deste Blog. Poetismo... apenas isso, poesia e poetas; foi com esse fim que considerei criar outro Blog. Com a minha participação, de Lana, de O Empalador e de Perséfone, esperamos poder partilhar convosco, leitores de Blogs, a delícia que é a leitura da poesia que, na minha opinião, guarda consigo uma beleza própria. Espero que visitem e apreciem :)
sexta-feira, março 25, 2005
Noite de Luxúria
Hoje quero beijos!
Dói-me a garganta
Mas berro.
A água secou
E o sorriso abriu.
As portas abertas
Deixam a luz entrar.
Já me vês?
Sim!
Sim, sim, sim...
Estou aqui!
Berro, berro e berro.
De veste branca,
Transparente e suave
Me apresento a ti.
Eu sempre danço!
Vês-me? É só para ti!
Beija-me!
Agarra-me!
Leva-me!
Estou aqui!
Para ti!
Para ti!
Quero tanto,
Mas tanto
Sentir as tuas mãos.
Percorre-me...
Vá! Eu já deixo...
Sou para ti...
Só por hoje
Porque é noite de luxúria....
Dói-me a garganta
Mas berro.
A água secou
E o sorriso abriu.
As portas abertas
Deixam a luz entrar.
Já me vês?
Sim!
Sim, sim, sim...
Estou aqui!
Berro, berro e berro.
De veste branca,
Transparente e suave
Me apresento a ti.
Eu sempre danço!
Vês-me? É só para ti!
Beija-me!
Agarra-me!
Leva-me!
Estou aqui!
Para ti!
Para ti!
Quero tanto,
Mas tanto
Sentir as tuas mãos.
Percorre-me...
Vá! Eu já deixo...
Sou para ti...
Só por hoje
Porque é noite de luxúria....
segunda-feira, março 21, 2005
Só de emoção
Diz que me amas!
Não é bem isso que quero ouvir
Mas diz que gostas de mim!
Diz-lo com convicção
Diz-lo para eu acreditar
Diz-lo vezes sem conta
De maneiras diferentes
Faz-me crer que tu
Tu me amas
Não é amar
É gostar
Mas diz-mo!
Queria tanto ouvi-lo...
Não! Quero!
Agora, neste instante!
E é neste instante
Em que não estás
E é neste instante
Que preciso
E preciso tanto...
Mas são das palavras
Dessas letras coladas
Que tanto preciso?
Não sei...
Quero uma palavra
Que me beije
Beija-me!
Com ardor, paixão
Esquece o amor!
Não existe....
Ama-me de paixão
E esquece o sentimento
Ama-me só de emoção
E mais não peço
E mais nem sequer quero
Ama-me de emoção
E esquece o sentimento!
Não é bem isso que quero ouvir
Mas diz que gostas de mim!
Diz-lo com convicção
Diz-lo para eu acreditar
Diz-lo vezes sem conta
De maneiras diferentes
Faz-me crer que tu
Tu me amas
Não é amar
É gostar
Mas diz-mo!
Queria tanto ouvi-lo...
Não! Quero!
Agora, neste instante!
E é neste instante
Em que não estás
E é neste instante
Que preciso
E preciso tanto...
Mas são das palavras
Dessas letras coladas
Que tanto preciso?
Não sei...
Quero uma palavra
Que me beije
Beija-me!
Com ardor, paixão
Esquece o amor!
Não existe....
Ama-me de paixão
E esquece o sentimento
Ama-me só de emoção
E mais não peço
E mais nem sequer quero
Ama-me de emoção
E esquece o sentimento!
segunda-feira, março 14, 2005
Ego
Sabes quantas vezes quis chorar sem razão nenhuma? Quantas vezes tu não possas imaginar. Sabes que de todas essas vezes prendi o choro? E sabes porquê? Porque me senti ridícula por não ter razão. Porque sem motivo fico perdida, sem referências... Porque sem motivo o importante desaparece. Porque o motivo me faz pensar, indagar, sentir, acreditar. Porque tudo que possas imaginar para mim tem que ter razão ou deixo-o de parte na caixa onde vês "Por definir". E sabes que o pensar me causa dores de cabeça? Por isso me vês de mãos escondidas nos cabelos a tapar a cara e de olhos direccionados para o chão. E por isso me vês, por vezes, cerrar os lábios para não dizer o que penso. Mas tu sabes que o digo, não sabes? Claro que sim. Tu recriminas-me por isso. Não sei coser a boca e digo o que penso pelas palavras que não são doces de ouvir e digo-o duma forma bruta e arrogante. E sabes porquê? É simples de explicar, chama-se orgulho. Aquele sentimento do qual o ego se alimenta tão intensamente. O ego... esse bicho roedor do nosso coração que nos tenta sempre colocar num pedestal. Atencioso ele, não? Claro que não! Destrói-nos! Rasga-nos fazendo-nos acreditar que nos preenche. Traiçoeiro, isso sim! É esse mesmo ego que não me deixa chorar sem razão. Que me impede de deixar escorrer as mágoas do meu coração. É esse mesmo ego que se apresenta a ti e a todos. É ele que recriminas. Mas é a mim também, não é? Claro que sim. Eu deixo o meu ego tomar conta de mim, duma tal maneira que tudo o que uma vez vi junto de mim se vai afastando... Lá longe vejos os reflexos. Lá longe ouço as vozes distorcidas. Mas já nada entra aqui. A crosta formou-se forte e não parece mostrar fraquezas por onde um sopro, um suspiro doce possa espreitar e rachá-la.
A criança que fui chora na estrada...
A criança que fui chora na estrada.
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E ao ver-me, tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
[A lágrima quase espreitou mal li a primeira quadra. Adoro este poema! Diz-me tanto...]
Deixei-a ali quando vim ser quem sou;
Mas hoje, vendo que o que sou é nada,
Quero ir buscar quem fui onde ficou.
Ah, como hei-de encontrá-lo? Quem errou
A vinda tem a regressão errada.
Já não sei de onde vim nem onde estou.
De o não saber, minha alma está parada.
Se ao menos atingir neste lugar
Um alto monte, de onde possa enfim
O que esqueci, olhando-o, relembrar,
Na ausência, ao menos, saberei de mim,
E ao ver-me, tal qual fui ao longe, achar
Em mim um pouco de quando era assim.
Fernando Pessoa
[A lágrima quase espreitou mal li a primeira quadra. Adoro este poema! Diz-me tanto...]
domingo, março 13, 2005
Frase apropriada
"A minha vida não tem nexo
Dar-lhe um rumo é dar-lhe um fim."
Ornatos Violeta - Débil Mental
Dar-lhe um rumo é dar-lhe um fim."
Ornatos Violeta - Débil Mental
quarta-feira, março 02, 2005
Selvagismo do ser
Sou selvagem do meu mais profundo ser
A primitividade habita em mim
Sorrateira, duma estranha inteligência,
Como um pequeno engenho programado
Ao mínimo ruído mal captado desperta
Soltando ondas de calor e agitação
Percorrendo o caminho que se lhe depara
Até encontrar um meio de fuga
Escapando de uma matéria densa
Lança-se numa forte brusquidão
Como se de um sufoco apertado
Se tentasse libertar
Contorce-se e vocifera
Como se de mão atadas se encontrasse
Impossiblitada de atingir por actos
Necessitada de praguejar e gritar
Os olhos espelham cólera
E os lábios são mordidos
Por uma irritação profunda
Pela incapacidade de atingir
Mas eis que a fúria se acalma...
De imediato, toma conhecimento
Que as suas palavras foram fortes
Para atingirem e criarem danos
Em todo o seu maldito redor
Apercebe-se dos efeitos causados
E delicia-se com o caos provocado
Ri silenciosa e maliciosamente
E goza, agora, baixinho...
Satisfez os seus caprichos
Mesquinhos e maldosos
Fica completamente saciada
E não oferece resistência
Deixa-se engolir pela carne
De encontro ao seu antro
Pronta para hibernar levemente
Atenta a outra faísca atraente
“Deixo-te a ti as questões,
oh corpo inútil!”
Resmunga ela
Enquanto mergulha...
A primitividade habita em mim
Sorrateira, duma estranha inteligência,
Como um pequeno engenho programado
Ao mínimo ruído mal captado desperta
Soltando ondas de calor e agitação
Percorrendo o caminho que se lhe depara
Até encontrar um meio de fuga
Escapando de uma matéria densa
Lança-se numa forte brusquidão
Como se de um sufoco apertado
Se tentasse libertar
Contorce-se e vocifera
Como se de mão atadas se encontrasse
Impossiblitada de atingir por actos
Necessitada de praguejar e gritar
Os olhos espelham cólera
E os lábios são mordidos
Por uma irritação profunda
Pela incapacidade de atingir
Mas eis que a fúria se acalma...
De imediato, toma conhecimento
Que as suas palavras foram fortes
Para atingirem e criarem danos
Em todo o seu maldito redor
Apercebe-se dos efeitos causados
E delicia-se com o caos provocado
Ri silenciosa e maliciosamente
E goza, agora, baixinho...
Satisfez os seus caprichos
Mesquinhos e maldosos
Fica completamente saciada
E não oferece resistência
Deixa-se engolir pela carne
De encontro ao seu antro
Pronta para hibernar levemente
Atenta a outra faísca atraente
“Deixo-te a ti as questões,
oh corpo inútil!”
Resmunga ela
Enquanto mergulha...
segunda-feira, fevereiro 28, 2005
No dia um
Está demasiado calmo para escrever,
Escrever da forma que o tenho feito:
Com todos aqueles lamentos,
Todas aquelas lágrimas engolidas,
Aquelas feridas abertas e aquela dor...
As palavras soam-me tão estranhas
Tão distantes, sem sentido...
Os meus dedos tentam alcançá-las
Porém, o esforço perde-se no ar
E os dedos acabam por desistir.
Não sei escrever palavras bonitas
Como aquelas que se gostam de ler
Ou aquelas que obrigam a repensar
Essas palavras não as encontro
Para paz interior e finais felizes,
Apenas para desespero da falta
Dessas emoções a atingir...
Ouço as gargalhadas dos que conversam,
O galope desenfreado da cadela...
01 de Janeiro de 2005
[Encontrava-me, nesta altura, numa aldeia ecológica. O ar era tão puro, o verde tão bonito, as montanhas inspiradoras e uma calma pairava em mim. O yoga, a dança e a meditação eram práticas correntes o que conferia uma paz (ainda que momentânea) de espiríto. Passei lá apenas uma noite e uma tarde, mas adorei a experiência. Foi, com certeza, a melhor passagem de ano que já tive oportunidade de experienciar.]
Escrever da forma que o tenho feito:
Com todos aqueles lamentos,
Todas aquelas lágrimas engolidas,
Aquelas feridas abertas e aquela dor...
As palavras soam-me tão estranhas
Tão distantes, sem sentido...
Os meus dedos tentam alcançá-las
Porém, o esforço perde-se no ar
E os dedos acabam por desistir.
Não sei escrever palavras bonitas
Como aquelas que se gostam de ler
Ou aquelas que obrigam a repensar
Essas palavras não as encontro
Para paz interior e finais felizes,
Apenas para desespero da falta
Dessas emoções a atingir...
Ouço as gargalhadas dos que conversam,
O galope desenfreado da cadela...
01 de Janeiro de 2005
[Encontrava-me, nesta altura, numa aldeia ecológica. O ar era tão puro, o verde tão bonito, as montanhas inspiradoras e uma calma pairava em mim. O yoga, a dança e a meditação eram práticas correntes o que conferia uma paz (ainda que momentânea) de espiríto. Passei lá apenas uma noite e uma tarde, mas adorei a experiência. Foi, com certeza, a melhor passagem de ano que já tive oportunidade de experienciar.]
domingo, fevereiro 27, 2005
The Chains of Our Mind
It seems what makes us happy
Is what we wanted to have
It seems our present happiness
Has its place in the past
It seems we don’t seek the future
But we regret what it’s gone
And we don’t live the present
Trapped with all these thoughts
We go round and round…
Staying always in the same place
We don’t seem to find a way
To get free from these chains
16th January 2005
Is what we wanted to have
It seems our present happiness
Has its place in the past
It seems we don’t seek the future
But we regret what it’s gone
And we don’t live the present
Trapped with all these thoughts
We go round and round…
Staying always in the same place
We don’t seem to find a way
To get free from these chains
16th January 2005
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