Hoje vou tentar escrever algo feliz
Algo com um sabor doce e uma cor alegre
Deixo para trás, por hoje, o preto e branco
Deixo para trás lamúrios, choros e gritos
Esboço um sorriso para que seja mais fácil
Respiro fundo para sentir o que me rodeia
Fecho os olhos e inclino a cabeça para trás
Tento relaxar deste stress diário fatigante
Agora estou pronta para começar a escrita
Mas não sei o que sinto nem o que penso
Que posso eu escrever com esta indefinição?
Tento recordar... esforço-me por relembrar!
Um cheiro morno passa por meu nariz
Um sol quente aquece a minha face branca
Sinto-me a ganhar cor e a ficar com calor
Dispo instintivamente o casaquinho que trago
Sinto a brisa que brincava com meus cabelos
E, agora, vejo o verde da relva nos meus pés
Estou descalça e ela é macia e faz cócegas
E as flores dão cor a esta tela de sensações
Decido sentar-me nesta almofada natural
Banhada por esta luz suave e, agora, morna
Fecho os olhos, mole por todo este descanso
Passo os dedos pelas pétalas e pela relva
Sinto-me a subir...levada pela brisa morna
Deitada, com a cabeça nos braços recolhidos
Abro os olhos e vejo as nuvens de algodão
Sinto-me calma naquela imensa suavidade
Sinto-me a pairar sem o peso do corpo
Que fui obrigada a carregar quando nasci
Sinto-me, então, leve e livre de tentações
Deixo-me ir por onde me leva esta brisa
Não quero descer, não quero voltar
A terra já acho que conheço demasiado
O pó que me cega e me sufoca deixo-o lá
Lá em baixo onde a carne ficou sem mim
Agora sou só eu aqui neste ar diferente
Respiro um ar puro que nunca respirei
Não preciso beliscar-me, nem tocar-me
Sei que sou... Não é sonho...
Por isso, não receio acordar para a terra
Sei que estou desperta, mais que nunca
A anestesia do corpo deixei-a para trás
Sinto, agora, o despertar do espírito
Quero ir...
Não receio deixar tudo para trás
O mundo material em que vivi
O que me importa vem comigo
Vem em mim, faz parte de mim
Agora vou...
sexta-feira, janeiro 21, 2005
quinta-feira, janeiro 20, 2005
Chiu...

Lina Maria (olhares.com)
Quero só deitar-me na cama ou no chão e ficar... no meu silêncio, sem ouvir a respiração de mais ninguém a não ser a minha... a minha respiração lenta e pausada. Quero sentir-me e ouvir-me... Quero estudar-me e compreender-me. Quero ficar aqui... no escuro, no silêncio da minha alma inquieta, na minha paz... Não sei ao certo o que procuro, mas sei que o faço. Talvez queira encontrar a ternura do meu ser... Mas... querer-me-ei ver... verdadeiramente? Não sei... mas, para já, sei que quero silêncio, escuro e apenas eu.
terça-feira, janeiro 18, 2005
Incapacity
I try to express my thoughts
But I usually fail
I mix the words
And I find no trail
Then I try not to think
And just try to feel
To write the words
That can make me heal
But in this path
Foggy and uncertain
I find my wounds
Open, breathing pain
And so I just quit
Tired of this confusion
I leave my bruises
To a better surgeon
2nd January 2005
P.S. Prefiro o português para me exprimir, no entanto, decidi fazer post deste poema porque foi o primeiro que fiz em inglês.
But I usually fail
I mix the words
And I find no trail
Then I try not to think
And just try to feel
To write the words
That can make me heal
But in this path
Foggy and uncertain
I find my wounds
Open, breathing pain
And so I just quit
Tired of this confusion
I leave my bruises
To a better surgeon
2nd January 2005
P.S. Prefiro o português para me exprimir, no entanto, decidi fazer post deste poema porque foi o primeiro que fiz em inglês.
terça-feira, janeiro 11, 2005
MA
"Don't drag me down
Just because you're down
And just cause you're blue
Don't make me too(...)"
Massive Attack - Better Things
Just because you're down
And just cause you're blue
Don't make me too(...)"
Massive Attack - Better Things
segunda-feira, janeiro 10, 2005
Caminho
Há em mim um sufoco
Um desespero calado
Um caminho oco
Enfim, apagado...
Um destino sem traço
Com pés descalços
Um caminho sem passo
Por tantos precalços
Um medo envolvente
Tão medonho, tão frio
Tão temido, tão presente
Tão gélido como é o rio
E, assim me envolve
Num fechar cerrado
Que, por vezes, volve
O que não devia ser encontrado
Um desespero calado
Um caminho oco
Enfim, apagado...
Um destino sem traço
Com pés descalços
Um caminho sem passo
Por tantos precalços
Um medo envolvente
Tão medonho, tão frio
Tão temido, tão presente
Tão gélido como é o rio
E, assim me envolve
Num fechar cerrado
Que, por vezes, volve
O que não devia ser encontrado
25 de Novembro de 2004
Este poema ainda é do tempo em que escrevia poesia, por vezes, exageradamente. Não sei porque ficou guardado. Já não me lembro da altura em que o escrevi, mas sei que continua a aplicar-se a este presente. Não sei que mais dele dizer... saiu-me assim e assim ficou. Enfim... as palavras foram ditas.
És aborrecida!
Estou demasiado cansada para escrever algo decente. Mas houve um certo alguém que me despertou para tal e eu fiquei em bicos de pés. Conhecem a sensação? Aquela em que não conseguem pensar em muito mais a não ser em equilibrarem-se; não estão com os pés bem assentes no chão para raciocinarem nem com eles completamente no ar, a flutuarem, para deixar fluir as emoções. Pois bem, estou nesse impasse, a tentar decifrar se quero escrever ou não. Bem... com papel e caneta à minha frente a vontade aparece sempre; a questão é se eu serei capaz de fazer uso desses instrumentos que tanto valor têm para mim. Ah... e mais uma vez esta questão importuna-me. Tantas e tantas vezes já lhe dei o papel principal nos meus textos, mas não há maneira de se cansar dessa posição; sempre que penso em escrever, lá vem ela (contente da vida) para me pedir , ou exigir, um pouco mais de fama.
- Não te cansas que eu diga sempre o mesmo , ainda que por variadas palavras, acerca da tua pessoa?
É aborrecido, devo confessar. por vezes, ocorrem-me tantos (e diversos) temas e quando os tento escrever, lá vem ela intrometer-se. Parece que é apenas ela o infortúnio da minha vida, a questão de fundo dos meus problemas.
- Ah! como tu consegues aborrecer-me (até) quando me encontro em dias de sossego e sorrisos de aguarelas. Podias descansar um pouco (de preferência quando eu fosse escrever). Fazia-te a cama se necessário, desde que me deixasses na minha paz. E por tanto me importunares perco-me no raciocínio. Sei que ia escrever sobre um assunto que me anda a assolar, mas tu agora tiraste-me a vontade. Arre! Que o vento te leve.
- Não te cansas que eu diga sempre o mesmo , ainda que por variadas palavras, acerca da tua pessoa?
É aborrecido, devo confessar. por vezes, ocorrem-me tantos (e diversos) temas e quando os tento escrever, lá vem ela intrometer-se. Parece que é apenas ela o infortúnio da minha vida, a questão de fundo dos meus problemas.
- Ah! como tu consegues aborrecer-me (até) quando me encontro em dias de sossego e sorrisos de aguarelas. Podias descansar um pouco (de preferência quando eu fosse escrever). Fazia-te a cama se necessário, desde que me deixasses na minha paz. E por tanto me importunares perco-me no raciocínio. Sei que ia escrever sobre um assunto que me anda a assolar, mas tu agora tiraste-me a vontade. Arre! Que o vento te leve.
terça-feira, janeiro 04, 2005
"Nota ao acaso"
"O poeta superior diz o que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir.
Nada disto tem que ver com a sinceridade. Em primeiro lugar, ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o que não sente é com qualquer espécie ou grau de sinceridade intelectual, e essa é que importa no poeta. Tanto assim é que não creio que haja, em toda a já longa história de Poesia, mais que uns quatro ou cinco poetas, que dissessem o que verdadeiramente, e não só efectivamente, sentiam.
(...)
Quando um poeta inferior sente, sente sempre por caderno de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas - tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassilábicos como usaria luto na vida.
O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo."
Álvaro de Campos (1935?)
Nada disto tem que ver com a sinceridade. Em primeiro lugar, ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o que não sente é com qualquer espécie ou grau de sinceridade intelectual, e essa é que importa no poeta. Tanto assim é que não creio que haja, em toda a já longa história de Poesia, mais que uns quatro ou cinco poetas, que dissessem o que verdadeiramente, e não só efectivamente, sentiam.
(...)
Quando um poeta inferior sente, sente sempre por caderno de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que o não sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas - tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassilábicos como usaria luto na vida.
O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo."
Álvaro de Campos (1935?)
Citação
"Conheceram-me logo pelo que eu não era e eu não desmenti e perdi-me. Quando quis tirar a máscara estava colada à pele."
Álvaro de Campos
Álvaro de Campos
quarta-feira, dezembro 29, 2004
Em meu peito
Percorro o peito com os dedos...
Levo-os à boca e recordo
Aqueles doces momentos
Que me deixaram marcada
Neste peito que acaricio
Neste peito que palpita
Quando recordo, revivo...
Mas também é este peito que arde
É este peito que dói sem noção
Este peito que dá vontade de rasgar
De abrir, expôr, libertar...
É este peito que arde
Quando as palavras não fartam
Quando as imagens cansam
Quando tudo fica preso
Quando tudo explode e não se vê
É neste peito...
Que o invisível ocorre
Que o inexplicável surge
É este peito...
Que a dor abraça.
Levo-os à boca e recordo
Aqueles doces momentos
Que me deixaram marcada
Neste peito que acaricio
Neste peito que palpita
Quando recordo, revivo...
Mas também é este peito que arde
É este peito que dói sem noção
Este peito que dá vontade de rasgar
De abrir, expôr, libertar...
É este peito que arde
Quando as palavras não fartam
Quando as imagens cansam
Quando tudo fica preso
Quando tudo explode e não se vê
É neste peito...
Que o invisível ocorre
Que o inexplicável surge
É este peito...
Que a dor abraça.
segunda-feira, dezembro 27, 2004
Agonia poética
Eu sinto-a bem perto de mim.
Desenha-me sorrisos nos lábios.
Deixa um brilho em meus olhos.
Eu sinto-a...
Mas não a sei...
Como assim?
Sinto os nós a formarem-se
"Como assim?" pergunto
Saber... O que há para saber?
Ai! Os pensamentos que vêm
E logo partem
E me deixam de rastos
Junto com as emoções
Que não sei
Mas que sinto...
Ai! Porquê escrever assim?
Porquê desta forma
E não daquela que ocupa as linhas?
Só vejo o branco...
Gemo em silêncio
As mãos anseiam por se contorcerem
A cabeça por se lançar para trás
Os olhos por fecharem
Os dentes por rangerem
Tão fortemente, com vontade de partir
Ai! Esta agonia que me parte
Não me mata
Porque morte de poeta não dói
O que dói é o que o agonia
As dores de pensamento
A paragem que a mão decide fazer
As dores dos ossos e dos músculos
Os lábios que anseiam ser trincados
Ai! Morte de poeta só existe
Naquelas letras que se formam
Para aliviar a dor
Para sujeitar o poeta ao papel
À tinta, à mão, aos olhares
As letras matam o poeta
Porque são arma perfeita
Contra a imperfeição da mão
A mão que dói quando escreve
A mão que não escreve
Porque não sabe
A mão que não se liga ao coração
E só obedece à mente
Ao raciocínio que mata o poeta
O poeta morre pelas mesmas mãos
Que julga poder usufruir
Para aliviar o seu sofrimento
O poeta morre...
Sem querer
Por não saber
E por sentir.
Desenha-me sorrisos nos lábios.
Deixa um brilho em meus olhos.
Eu sinto-a...
Mas não a sei...
Como assim?
Sinto os nós a formarem-se
"Como assim?" pergunto
Saber... O que há para saber?
Ai! Os pensamentos que vêm
E logo partem
E me deixam de rastos
Junto com as emoções
Que não sei
Mas que sinto...
Ai! Porquê escrever assim?
Porquê desta forma
E não daquela que ocupa as linhas?
Só vejo o branco...
Gemo em silêncio
As mãos anseiam por se contorcerem
A cabeça por se lançar para trás
Os olhos por fecharem
Os dentes por rangerem
Tão fortemente, com vontade de partir
Ai! Esta agonia que me parte
Não me mata
Porque morte de poeta não dói
O que dói é o que o agonia
As dores de pensamento
A paragem que a mão decide fazer
As dores dos ossos e dos músculos
Os lábios que anseiam ser trincados
Ai! Morte de poeta só existe
Naquelas letras que se formam
Para aliviar a dor
Para sujeitar o poeta ao papel
À tinta, à mão, aos olhares
As letras matam o poeta
Porque são arma perfeita
Contra a imperfeição da mão
A mão que dói quando escreve
A mão que não escreve
Porque não sabe
A mão que não se liga ao coração
E só obedece à mente
Ao raciocínio que mata o poeta
O poeta morre pelas mesmas mãos
Que julga poder usufruir
Para aliviar o seu sofrimento
O poeta morre...
Sem querer
Por não saber
E por sentir.
domingo, dezembro 26, 2004
Impedimento
Sinto o nó percorrer o peito e alojar-se na garganta com vontade de criar raízes. Sinto a mão parar para pensar e esperar para escrever.
É tão triste este cenário... Os olhos e a boca descaem e as sobrancelhas franzem. Sinto um novo nó. Desta vez, no estômago. Não sei se grito ou se choro. Sinto-me tão frustrada, irritada, desapontada comigo mesma. Parece que fui decapitada e de mãos cortadas para ser castigada por um crime anónimo e desconhecido. Quero lhes bater. Sim! As minhas mãos anseiam por apertar um pescoço e com as unhas rasgar a pele, arranhar, cortar, desfazer... A amabilidade do meu olhar evapora-se como uma gota de água num deserto abraçado pelo calor infernal. Os meus dedos abrem e fecham esperando encontrar algo para esmagar. Sinto uma vontade incontrolável de morder. Os meus lábios começam a sangrar de tanto os roer e consigo ouvir o roçar dos dentes com vontade de rachar. A fúria eleva o meu corpo, agita-o. Sinto como se me amarrassem os braços com tanta força que até os meus ossos gemem; sinto-me a ser agitada por mãos frias, fortes que amarram, arranham, prendem; sinto as unhas fincarem a carne dos meus fracos braços... Caio abandonada, gelada e moribunda. Sinto, agora, o cheiro da dor, do sangue que escorre nas minhas vestes e acaricia a minha pele. Levo as mãos ensanguentadas aos lábios e saboreio o sabor metálico daquele líquido vermelho que teima em sair do meu corpo. Dói-me o peito e os braços já nem os sinto. Mas o peito começa-me a arder... Dói, dói, dói! Sinto-me a queimar por dentro... As lágrimas caem, agora, como forma de fuga daquele fogo interior. O meu corpo atraiçoa-me... de tal maneira, que desejo separar-me dele; desejo afastar-me e ser livre. Libertar-me daquela jaula que se mata e me impede; de transbordar emoções, de proferir sons, de escrever palavras. Aquela jaula que me impede de me exprimir, que me apresenta obstáculos que me levam à loucura, ao masoquismo; porque sim! São minhas as mãos gélidas que me agitam e me rasgam, vem de mim o sofrimento de que tanto me lamento, vem de mim a estupidez de não saber escrever o que mais quero... Sim! Vem de mim a deficiência e não do corpo.
É tão triste este cenário... Os olhos e a boca descaem e as sobrancelhas franzem. Sinto um novo nó. Desta vez, no estômago. Não sei se grito ou se choro. Sinto-me tão frustrada, irritada, desapontada comigo mesma. Parece que fui decapitada e de mãos cortadas para ser castigada por um crime anónimo e desconhecido. Quero lhes bater. Sim! As minhas mãos anseiam por apertar um pescoço e com as unhas rasgar a pele, arranhar, cortar, desfazer... A amabilidade do meu olhar evapora-se como uma gota de água num deserto abraçado pelo calor infernal. Os meus dedos abrem e fecham esperando encontrar algo para esmagar. Sinto uma vontade incontrolável de morder. Os meus lábios começam a sangrar de tanto os roer e consigo ouvir o roçar dos dentes com vontade de rachar. A fúria eleva o meu corpo, agita-o. Sinto como se me amarrassem os braços com tanta força que até os meus ossos gemem; sinto-me a ser agitada por mãos frias, fortes que amarram, arranham, prendem; sinto as unhas fincarem a carne dos meus fracos braços... Caio abandonada, gelada e moribunda. Sinto, agora, o cheiro da dor, do sangue que escorre nas minhas vestes e acaricia a minha pele. Levo as mãos ensanguentadas aos lábios e saboreio o sabor metálico daquele líquido vermelho que teima em sair do meu corpo. Dói-me o peito e os braços já nem os sinto. Mas o peito começa-me a arder... Dói, dói, dói! Sinto-me a queimar por dentro... As lágrimas caem, agora, como forma de fuga daquele fogo interior. O meu corpo atraiçoa-me... de tal maneira, que desejo separar-me dele; desejo afastar-me e ser livre. Libertar-me daquela jaula que se mata e me impede; de transbordar emoções, de proferir sons, de escrever palavras. Aquela jaula que me impede de me exprimir, que me apresenta obstáculos que me levam à loucura, ao masoquismo; porque sim! São minhas as mãos gélidas que me agitam e me rasgam, vem de mim o sofrimento de que tanto me lamento, vem de mim a estupidez de não saber escrever o que mais quero... Sim! Vem de mim a deficiência e não do corpo.
terça-feira, dezembro 21, 2004
Preguiça
Sento-me e olho para o lado,
Deito a cabeça e penso...
Perto do sono
E sem querer dormir...
(É só preguiça!)
Sinto-me desconfortável
E ajeito a cabeça entre as mãos.
As pálpebras descem,
Mas estou longe de adormecer.
Fico pachorrenta
Sem saber o que fazer...
Saber até sei,
Mas não tenho vontade.
Milhares de cenários passam-me pela cabeça...
E eu... sem sequer um dedo mexer.
Ah preguiça que me consomes!
Roubas-me a vontade e estendes-me assim...
Julgava eu que tinha imaginação,
Julgava eu que tinha energia
Até chegares tu e dizeres-me que não.
Deito a cabeça e penso...
Perto do sono
E sem querer dormir...
(É só preguiça!)
Sinto-me desconfortável
E ajeito a cabeça entre as mãos.
As pálpebras descem,
Mas estou longe de adormecer.
Fico pachorrenta
Sem saber o que fazer...
Saber até sei,
Mas não tenho vontade.
Milhares de cenários passam-me pela cabeça...
E eu... sem sequer um dedo mexer.
Ah preguiça que me consomes!
Roubas-me a vontade e estendes-me assim...
Julgava eu que tinha imaginação,
Julgava eu que tinha energia
Até chegares tu e dizeres-me que não.
quarta-feira, dezembro 15, 2004
Alguém
Sinto que ela aprendeu a não chorar, talvez esteja anestesiada por todos os comprimidos que a cercam. Embebida em tanta dor física e mágoa emocional, como é possível que não grite? Marcada no corpo e na mente pela história que a fez, deixada com feridas abertas e lágrimas outrora secas por uma mão trémula ainda macia, vejo-a agora de boca fechada e braços cruzados, sentada no sofá com a manta nas pernas a olhar a televisão. Mas o seu olhar está perdido; perdido nas memórias que a assolam e que a prendem ao passado. Vejo o seu corpo ali, mas sinto que o seu espírito viajou. Não lhe sinto a presença e entristece-me saber que a sua chama se apagou, os seus sorrisos morreram e as gargalhadas... já nem me lembro como eram. No entanto, ela não grita, não chora... Talvez lamente os seus males em suspiros... mas são fracos e perdem-se no ar. Apenas o seu olhar a denuncia; um olhar perdido, triste, cheio de dor. Observo-a, tantas vezes, a mergulhar profundamente nas emoções que a consomem e nos pensamentos que a confundem. Sei que quando olha o mar transporta-se para aquele infinito do horizonte e vagueia, divaga, sente... Sei que gosta daquela linha inatingível porque a leva para longe; longe do mundo em que foi posta para viver, conviver e sofrer. Sei que se quer afastar da dor terrível que se apodera do seu corpo (daí os comprimidos) e dos golpes duros do pensamento que esfaqueiam a sua mente. Isola-se... em pensamentos e palavras... Isola-se... e tantas vezes não é vista.
14 de Dezembro de 2004
14 de Dezembro de 2004
domingo, dezembro 12, 2004
Passagem de um livro
"Há em nós um ser escondido, desconhecido, que fala uma língua estrangeira, e com o qual, mais cedo ou mais tarde, teremos que conversar."
Fraçois Taillandier, in A Minha Melhor Amiga
Fraçois Taillandier, in A Minha Melhor Amiga
Eu
Eu, eu, eu, eu...
Porque não tu ou vós
Ou até mesmo eles?
Porquê sempre eu
O tema dos meus escritos,
A razão das minhas palavras,
A água do meu choro,
O motivo do meu lamentar?
Sinto-me incapaz,
De membros mutilados,
De mente vazia
E ideias perdidas
Para escrever
O teu,
O vosso,
O deles.
Estou dentro do eu
Para poder compreender,
Decifrar, achar razões
E deixá-las no papel.
Mas não entro num tu,
Num vós, num eles
Para vasculhar e perceber
O que nem sei procurar.
Porque não tu ou vós
Ou até mesmo eles?
Porquê sempre eu
O tema dos meus escritos,
A razão das minhas palavras,
A água do meu choro,
O motivo do meu lamentar?
Sinto-me incapaz,
De membros mutilados,
De mente vazia
E ideias perdidas
Para escrever
O teu,
O vosso,
O deles.
Estou dentro do eu
Para poder compreender,
Decifrar, achar razões
E deixá-las no papel.
Mas não entro num tu,
Num vós, num eles
Para vasculhar e perceber
O que nem sei procurar.
quinta-feira, dezembro 09, 2004
Digo tanto
Digo tanto
Que me afogo nas palavras
E perco-me nos pensamentos
Digo tanto
Que não encontro linha de raciocínio
E tudo o que digo é fora de tempo
Que me afogo nas palavras
E perco-me nos pensamentos
Digo tanto
Que não encontro linha de raciocínio
E tudo o que digo é fora de tempo
segunda-feira, dezembro 06, 2004
Passagem de um livro
"Se não vistes nenhum de nós,
e por isso não existimos,
também não existis vós,
porque também não vos vimos."
Manuel António Pina, in A lha do Chifre de Ouro
e por isso não existimos,
também não existis vós,
porque também não vos vimos."
Manuel António Pina, in A lha do Chifre de Ouro
domingo, dezembro 05, 2004
Impaciência
É a impaciência que me arrasta
Até às masmorras da incomprensão
E me anestesia os sentidos
Perante gestos e palavras da multidão
É a impaciência que me atira
Para os caminhos do delírio
E para as malhas do desespero
Que me consomem o espírito
É a impaciência que me humilha
A cada gesto mal feito
A cada palavra mal dita
Que tornam o meu exprimir sem jeito
É a impaciência que me desgasta
Por não me ensinar como agir
E por me deixar tão fraca
Sem forças para mais fingir
Até às masmorras da incomprensão
E me anestesia os sentidos
Perante gestos e palavras da multidão
É a impaciência que me atira
Para os caminhos do delírio
E para as malhas do desespero
Que me consomem o espírito
É a impaciência que me humilha
A cada gesto mal feito
A cada palavra mal dita
Que tornam o meu exprimir sem jeito
É a impaciência que me desgasta
Por não me ensinar como agir
E por me deixar tão fraca
Sem forças para mais fingir
sexta-feira, dezembro 03, 2004
Deixa...
Deixa morrer o que já parecia morto. Deixa morrer o que pelo passado quer ser enterrado. Não puxes por algo que já não tem por onde puxar. Não queiras o que já não há para dar. A luz que queres voltar a ver já foi coberta pelo manto da escuridão que não consegues decifrar, que não consegues levantar. Não podes controlar tudo, sabes? Não controlas sequer uma pequena parte. Não te exaltes pelo que já nada podes fazer. Deixa estar... Não está tudo ao teu alcance. Não está tudo nas tuas mãos. Sim, vê-te como pequeno que és. O poder que julgas possuir é na verdade um véu sobre a tua impotência. Cobres-te do que não és para poderes aguentar o que não consegues. Esquece, deixa estar... O que tem que ser não pode ser mudado por mais que queiras, há coisas que têm que ser da maneira que são, e não da maneira que queres que sejam, por isso não te exaltes pelo que nunca vais conseguir, por isso, deixa morrer o que quer ser morto e enterrado.
quarta-feira, dezembro 01, 2004
Dentro de mim
É nas perguntas que me perco
E é nesse perder que me adoro.
É nessa facilidade de me ausentar que me admiro
E é nesse remoer de pensamentos que suspiro.
É nesses momentos de clareza que sorrio
E é nesses sorrisos que rio.
Quando penso,
Vagueio,
Imagino,
Divago...
É nesse viajar ao interior que vejo
E é nesse ver que percebo.
É nesse murmurar que me escuto
E é nesse escutar que luto.
É nessa luta constante em que existo
E é nesse cansaço que desisto.
E é nesse perder que me adoro.
É nessa facilidade de me ausentar que me admiro
E é nesse remoer de pensamentos que suspiro.
É nesses momentos de clareza que sorrio
E é nesses sorrisos que rio.
Quando penso,
Vagueio,
Imagino,
Divago...
É nesse viajar ao interior que vejo
E é nesse ver que percebo.
É nesse murmurar que me escuto
E é nesse escutar que luto.
É nessa luta constante em que existo
E é nesse cansaço que desisto.
Subscrever:
Mensagens (Atom)