Escreverias sem cessar
Se soubesses o que sinto
Não é para te espantar
Mas não sei o que pinto
Escreverias sem cessar
Se soubesses o que penso
Não é para te alarmar
Mas não tenho bom senso
Escreverias sem cessar
Se tivesses conhecimento
Que ando a chorar
Por cantos de tormento
Escreverias sem cessar
Se não fosses eu
Perdida no ar
Sem nada seu
terça-feira, novembro 30, 2004
Adormecido
No cenário da tua vida
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu
No teatro do teu olhar
Há quem note que a coragem
Não passa de uma miragem
Com preguiça de gritar
No repetir do teu mostrar
Inventas-te uma história
Que em ti não há memória
Porque sabes que não é tua...
Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior
No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo
E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...
Quando um dia acordares
Numa noite sem mentira
E te vires onde não estás
Vais querer voltar para trás...
Toranja
Adoro esta letra porque me identifico com ela. E provavelmente muitas mais pessoas o farão. Vivemos num teatro em que o que mostramos é o que pensamos ser conveniente os outros verem. Dizemo-nos fortes quando trememos por dentro, dizemo-nos grandiosos quando nos sentimos pequenos ao lado de tudo e todos... dizemos o que não somos porque não sabemos olhar para dentro e vermo-nos e, assim, construimos uma personagem agradável aos outros olhos enquanto nos vamos perdendo nesse cenário falso e de mentira. Mas nada como a letra da música para exprimir as palavras ocas que vou tentando encadear.
P.S. Resolvi ocultar o refrão porque penso que não tem muito a ver com o que eu pretendia transmitir.
Aclamas noites alucinantes
De gentes estonteantes
Que são tanto como tu
No teatro do teu olhar
Há quem note que a coragem
Não passa de uma miragem
Com preguiça de gritar
No repetir do teu mostrar
Inventas-te uma história
Que em ti não há memória
Porque sabes que não é tua...
Continuas a ensaiar
A conveniência do sorriso
O planear do improviso
Que te faz sentir maior
No artifício dos teus gestos
Pensas abraçar o mundo
Quando nem por um segundo
Te abraças a ti mesmo
E assim vais vivendo
E assim andando aí
E assim perdendo em ti
Tudo aquilo que nunca foste...
Quando um dia acordares
Numa noite sem mentira
E te vires onde não estás
Vais querer voltar para trás...
Toranja
Adoro esta letra porque me identifico com ela. E provavelmente muitas mais pessoas o farão. Vivemos num teatro em que o que mostramos é o que pensamos ser conveniente os outros verem. Dizemo-nos fortes quando trememos por dentro, dizemo-nos grandiosos quando nos sentimos pequenos ao lado de tudo e todos... dizemos o que não somos porque não sabemos olhar para dentro e vermo-nos e, assim, construimos uma personagem agradável aos outros olhos enquanto nos vamos perdendo nesse cenário falso e de mentira. Mas nada como a letra da música para exprimir as palavras ocas que vou tentando encadear.
P.S. Resolvi ocultar o refrão porque penso que não tem muito a ver com o que eu pretendia transmitir.
sexta-feira, novembro 26, 2004
Cenário
Queria imaginar um cenário bonito
Então imaginei pássaros e flores...
Mas pareceu-me muito vulgar
Então pensei um pouco mais...
Decidi imaginar cores diversas
E vi o encarnado e o preto...
Mas só consegui ver linhas...
Então decidi imaginar formas
E imaginei um corpo...
Mas achei demasiado erótico...
Então pensei, desta vez, em livros
E agradou-me a ideia...
Quis cores para os livros
E imaginei beje e preto...
Preto nas letras, beje nas páginas...
Queria um cenário mais que visual
Então imaginei o cheiro...
Um cheiro a papel, velho e mofo
E senti-me bem naquele ambiente...
Um sentimento confortável, porém incompleto...
Então decidi imaginar o tacto...
Imaginei mãos e dedos
E o toque nas páginas...
Não precisei de imaginar mais
Estava já sentada à secretária
Com livros abertos no colo
Folheava, folheava, folheava...
Fique lá até o dia adormecer
Deixei-me ficar até eu adormecer...
Então imaginei pássaros e flores...
Mas pareceu-me muito vulgar
Então pensei um pouco mais...
Decidi imaginar cores diversas
E vi o encarnado e o preto...
Mas só consegui ver linhas...
Então decidi imaginar formas
E imaginei um corpo...
Mas achei demasiado erótico...
Então pensei, desta vez, em livros
E agradou-me a ideia...
Quis cores para os livros
E imaginei beje e preto...
Preto nas letras, beje nas páginas...
Queria um cenário mais que visual
Então imaginei o cheiro...
Um cheiro a papel, velho e mofo
E senti-me bem naquele ambiente...
Um sentimento confortável, porém incompleto...
Então decidi imaginar o tacto...
Imaginei mãos e dedos
E o toque nas páginas...
Não precisei de imaginar mais
Estava já sentada à secretária
Com livros abertos no colo
Folheava, folheava, folheava...
Fique lá até o dia adormecer
Deixei-me ficar até eu adormecer...
Notas íntimas
"Jamais tive uma decisão nascida do auto-domínio, jamais traí externamente uma vontade consciente. Os meus escritos, todos eles ficaram por acabar; sempre se interpunham novos pensamentos, extraordinárias, inexpulsáveis associações cujo termo era o infinito."
Fernando Pessoa (1910?)
Fernando Pessoa (1910?)
quinta-feira, novembro 25, 2004
Desespero
Estou só, com medo, perdida e confusa... As palavras fogem-me tal como o choro que penso ser alívio. A capacidade de analisar evaporou-se, a razão ausentou-se... Não sei pensar e não sei sentir. Que sei eu afinal? O que ando a fazer? A réstia de inspiração que julguei ter aliou-se à razão e abandonou-me... Sinto que fiquei sem nada, nua e vazia. Um vazio diferente dos outros; um vazio que já não sei caracterizar; um vazio que me contorce e me agonia; um vazio que afinal me faz sentir. Não é, então, tão vazio assim... É mais um aperto junto ao peito que dificulta a respiração e me faz soltar gritos de silêncio. Sinto-me presa ao meu chão de repugna, aquele que me é tão familiar. É um desespero... Um desespero calado e disfarçado. Não daqueles que me faz trepar paredes, mas daqueles que me faz engolir a mim própria.
quarta-feira, novembro 24, 2004
Insónia
Oh retrato da Morte, oh Noite amiga,
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
Bocage
Por cuja escuridão suspiro há tanto!
Calada testemunha de meu pranto,
De meus desgostos secretária antiga!
Pois manda Amor que a ti somente os diga,
Dá-lhes pio agasalho no teu manto;
Ouve-os, como costumas, ouve, enquanto
Dorme a cruel, que a delirar me obriga.
E vós, oh cortesãos da escuridade,
Fantasmas vagos, mochos piadores,
Inimigos, como eu, da claridade!
Em bandos acudi aos meus clamores;
Quero a vossa medonha sociedade,
Quero fartar meu coração de horrores.
Bocage
Roma e Grécia
"(...) ninguém compara a grandeza ruidosa de Roma à super-grandeza da Grécia. A Grécia criou uma civilização, que Roma simplesmente espalhou, distribuiu. Temos ruínas romanas e ideias gregas. Roma é, salvo o que sobremorre nas fórmulas invitais dos códigos, uma memória de uma glória; a Grécia sobrevive-se nos nossos ideais e nos nossos sentimentos."
Fernando Pessoa (1912)
Fernando Pessoa (1912)
Antítese
É a luz que espero
E a escuridão que finto
É o preencher que quero
E o vazio que sinto
É o sabor doce na boca
E o amargo no coração
É o horror nos olhos
E o bonito na imaginação
É o sorriso que forço
E a lágrima que cai
É o riso que esforço
E o choro que sai
É uma antítese que sou
E é isto que detesto
Não saber onde estou
Nem onde está tudo o resto
E a escuridão que finto
É o preencher que quero
E o vazio que sinto
É o sabor doce na boca
E o amargo no coração
É o horror nos olhos
E o bonito na imaginação
É o sorriso que forço
E a lágrima que cai
É o riso que esforço
E o choro que sai
É uma antítese que sou
E é isto que detesto
Não saber onde estou
Nem onde está tudo o resto
segunda-feira, novembro 22, 2004
Espírito de festa
As estrelas são pretas num céu repleto de luzes e ornatos coloridos, em noites de festa, onde os da terra convivem animadamente sem regras ou limites. Festejam o que nem sabem e festejam porque sabe bem o vinho na boca e o jogo diante de seus olhos. Atiram dardos, jogam cartas ou xadrez e ganham prémios sem valor algum ou do valor de uma exibição exarcebada de algo inútil que leva o corpo à exaustão e cujas consequências são as de dor e ressaca. O copo na mão, o cigarro na boca e os gestos bruscos e descoordenados são sinais de alguém que é capaz, com coragem e, por isso, merecedor de respeito. Os mais calados são fracos ou jovens; os que não dançam ou cantam são perdedores e inúteis em festas de pompa igual. O espírito necessário é de alguém que grite, cante, dance, sem vergonha e com coragem para mostrar aos outros tudo o que sabe, embora, muitas das vezes nada de proveitoso, uma vez que, se limitam à demonstração de palhaçadas normalmente bem vindas e aplaudidas pelos que assistem. É este o espírito verdadeiro de festa, alguém que perde o contacto com a realidade e que transborda as emoções correntes agindo da forma que bem lhe apetecer. É assim que vivemos em tempo de exaltação, dotados de um espírito iludido com luzes e prémios, enganados pelo próprio engano, cegos para a vida e com a incapacidade impressionante de encarar a realidade. É assim que afogámos as nossas mágoas quando o pensar nelas nos provoca confusão, receio e tristeza...É assim que esquecemos que vivemos para aprender e para evoluír.
quinta-feira, novembro 18, 2004
Assim escrevo
Não é que tenha inspiração
Ou imaginação fértil
Ou até mesmo jeito
Simplesmente acontece
É um pouco ao acaso
Um propósito sem querer
Um diz que não
Para dizer sim
É como que um impulso
Uma vontade incontrolável
Um fascínio sem descrição
Um jeito sem jeito meio estranho
Ou é como um movimento
Independente e alheio
Um gesto que existe
E eu não sei como
É um acto irracional
Talvez emocional
Imaginativo e incerto
Estranho e agradável
É assim que escrevo
Não porque sei
Mas porque me apetece
E me sinto bem
Ou imaginação fértil
Ou até mesmo jeito
Simplesmente acontece
É um pouco ao acaso
Um propósito sem querer
Um diz que não
Para dizer sim
É como que um impulso
Uma vontade incontrolável
Um fascínio sem descrição
Um jeito sem jeito meio estranho
Ou é como um movimento
Independente e alheio
Um gesto que existe
E eu não sei como
É um acto irracional
Talvez emocional
Imaginativo e incerto
Estranho e agradável
É assim que escrevo
Não porque sei
Mas porque me apetece
E me sinto bem
Digo
Digo que não sou
Mas sou
Digo que não sinto
Mas sinto
Digo que sei
Mas não sei
Digo que dói
Mas não sinto
Digo que calo
Mas falo
Digo que sonho
Mas acordo
Digo que é belo
Mas não gosto
Digo por dizer
E não me calo
Digo que sim
Porque há não
Digo preto
Porque há branco
Digo feio
Porque há belo
Digo que falo
Mas não digo
Mas sou
Digo que não sinto
Mas sinto
Digo que sei
Mas não sei
Digo que dói
Mas não sinto
Digo que calo
Mas falo
Digo que sonho
Mas acordo
Digo que é belo
Mas não gosto
Digo por dizer
E não me calo
Digo que sim
Porque há não
Digo preto
Porque há branco
Digo feio
Porque há belo
Digo que falo
Mas não digo
quarta-feira, novembro 17, 2004
Livro
Deslizo os dedos pela capa
Sinto a textura rugosa
Levo-o junto à cara
E sinto o cheiro a papel velho
Uma primeira abertura
Arrasta páginas
Folheio-o com cuidado
E respiro a sua história
Deixo-me levar
Pelo deleite da leitura
Absorvo as palavras
E preencho-me de significados
Mergulho nas páginas
Desapareço noutro mundo
Alheio ao meu
Alheio ao vosso
Toca-me em sítios inatingíveis
Desconhecidos, impossíveis
No meu mundo, no vosso mundo
Não naquele mundo
Toca-me onde pensei
Não sentir o toque
Toca-me duma maneira
Que julguei não existir
Toca-me porque deixo
Porque mergulho
Porque adoro
Porque sim
É... não tem
É letras
É palavras
É significados
É poder
É calma
É suave
É profundo
É o que adoro
Que preenche
Que aquece
Que ilumina
É tudo aquilo
Que pode
Que atinge
Que toca
É um livro...
Sinto a textura rugosa
Levo-o junto à cara
E sinto o cheiro a papel velho
Uma primeira abertura
Arrasta páginas
Folheio-o com cuidado
E respiro a sua história
Deixo-me levar
Pelo deleite da leitura
Absorvo as palavras
E preencho-me de significados
Mergulho nas páginas
Desapareço noutro mundo
Alheio ao meu
Alheio ao vosso
Toca-me em sítios inatingíveis
Desconhecidos, impossíveis
No meu mundo, no vosso mundo
Não naquele mundo
Toca-me onde pensei
Não sentir o toque
Toca-me duma maneira
Que julguei não existir
Toca-me porque deixo
Porque mergulho
Porque adoro
Porque sim
É... não tem
É letras
É palavras
É significados
É poder
É calma
É suave
É profundo
É o que adoro
Que preenche
Que aquece
Que ilumina
É tudo aquilo
Que pode
Que atinge
Que toca
É um livro...
Cair
É o sono e a confusão
O neveoeiro e o cansaço
O pesar e o turbilhão
O frio de aço
O gelo no coração
O tapar da visão
A pedra na mão
A amarga desilusão
O cair do corpo
O desistir da alma
O olhar morto
A estranha calma
É um fechar
Cerrar
Calar
Ficar
A agonia e a dor
Do fingir sentir
O perder do amor
Do que é existir
Um morrer
Perder
Falecer
Esquecer
O neveoeiro e o cansaço
O pesar e o turbilhão
O frio de aço
O gelo no coração
O tapar da visão
A pedra na mão
A amarga desilusão
O cair do corpo
O desistir da alma
O olhar morto
A estranha calma
É um fechar
Cerrar
Calar
Ficar
A agonia e a dor
Do fingir sentir
O perder do amor
Do que é existir
Um morrer
Perder
Falecer
Esquecer
segunda-feira, novembro 15, 2004
Noite de brisa
A leve brisa da noite acaricia a face
O luar brilha no olhar
Na longa espera que tudo passe
Sento-me a ver a noite acabar
O sabor da canela ainda nos lábios
O cheiro nos cabelos a madeira e vela queimada
Um toque suave em instantes sábios
Foram memórias duma noite passada
O abraço forte e envolvente
O balançar carinhoso e lento
Uma respiração quente
Presente nas noites de alento
A lareira apagada
A vela derretida
Uma noite passada
Sem despedida
O beijo que se afasta
A mão que desliza
Um olhar que basta
Numa noite de brisa
O luar brilha no olhar
Na longa espera que tudo passe
Sento-me a ver a noite acabar
O sabor da canela ainda nos lábios
O cheiro nos cabelos a madeira e vela queimada
Um toque suave em instantes sábios
Foram memórias duma noite passada
O abraço forte e envolvente
O balançar carinhoso e lento
Uma respiração quente
Presente nas noites de alento
A lareira apagada
A vela derretida
Uma noite passada
Sem despedida
O beijo que se afasta
A mão que desliza
Um olhar que basta
Numa noite de brisa
segunda-feira, novembro 08, 2004
Não sou eu
Olho-me ao espelho, mas não me vejo; aquele corpo não me pertence... Nada do que vejo é meu e muito menos eu. Não me identifico com o corpo nem com o nome. Chamam-me, mas não olho. Não é por mim que chamam, chamam por um nome. Não me expresso pelas mãos que tanto adoro ou pelos olhos que misteriosamente aprecio. Nada do que mostro sou; nada do que sou mostro. Vivo uma fantasia perturbada, vagueando por caminhos que finjo conhecer. Sinto-me cheia do vazio, pois engano-me a cada momento com ilusões planeadas e passos em falso. Tudo são cenas em palco e nada é real. Tudo é artificial e nada é real. Aqui tudo é efémero e nada me pertence. Afundo-me em papéis e pensamentos...Sufoco com lágrimas secas e sorrisos apagados...Perco-me nos lençóis do meu ser e nas palavras da minha vida...Complico o simples, mas ainda assim tento compreender o complicado. Minhas mãos murcham as flores, meu olhar esfaqueia as peles... Sinto-me a cair, mas continuo em palco. Sinto-me a fugir, mas encontro-me presa por amarras ténues que não sou capaz de quebrar. Sinto-me morrer, mas existo sem o corpo.
quarta-feira, outubro 13, 2004
Rumos
Queixamo-nos do sofrimento, mas conseguimos viver sem ele? É mais um sentimento que nos faz sentir vivos. É talvez o sentimento que conhecemos melhor. Mas digam lá se não devemos agradecer tanto sofrimento.. É através dele que aprendemos a maior parte das coisas na nossa vida. Podem-nos avisar com todo o amor que uma certa coisa nos prejudica, mas só conseguimos perceber esse prejuizo quando o sentimos "na pele". Digam a um puto pequeno que se puser os dedos na tomada vai apanhar um choque.. ele fica a pensar o que será um choque, então lá vai ele descobrir e a partir do momento em que o sentiu, passou a saber o que é, e se por acaso não gostou, não vai voltar a fazê-lo.
Acham mesmo que evoluimos a partir do amor? Eu não. Somos demasiado preguiçosos e, numa palavra menos específica, "burros", para evoluirmos sem sofrer. Basta ver que fazemos bastantes borradas, sofremos as consequências desses actos, mas no minuto a seguir somos capazes de fazer o mesmo. Não é uma situação digna de um abanão?
Nós que somos tão inteligentes...Não temos a capacidade de perceber que se escolhermos seguir por um certo caminho que nos leva a consequências desastrosas, esse caminho não é dos melhores? Não temos a inteligência suficiente para analisar a nossa vida e tomar rumos diferentes quando necessário?
Penso que temos essa inteligência, mas o caminho mais fácil é sempre pelo que seguimos. Apercebemo-nos que algo está mal, mas dá tanto trabalho mudar...
Há quem pense que se vamos morrer porquê darmo-nos ao trabalho...Mas e se a vida depois da morte existir mesmo? Ou se for apenas uma transformação na nossa vida e não um fim? A desculpa da morte é mesmo apenas uma desculpa... Vivemos por algum motivo. Não se questionam porque motivo nasceram? O que vieram cá fazer? Claro que sim... O difícil é encontrar as respostas, por isso temos que fazer o possível para as encontrar. O papel de vítima é o mais confortável, mas também o mais cobarde. Talvez pareça falar por falar. Confesso que também eu tenho que percorrer esse caminho, estou apenas a relatar ou a tentar relatar o meu ponto de vista.
Deixo aqui este pensamento, talvez um pouco mal estruturado e incompleto, mas por agora fica assim.
Acham mesmo que evoluimos a partir do amor? Eu não. Somos demasiado preguiçosos e, numa palavra menos específica, "burros", para evoluirmos sem sofrer. Basta ver que fazemos bastantes borradas, sofremos as consequências desses actos, mas no minuto a seguir somos capazes de fazer o mesmo. Não é uma situação digna de um abanão?
Nós que somos tão inteligentes...Não temos a capacidade de perceber que se escolhermos seguir por um certo caminho que nos leva a consequências desastrosas, esse caminho não é dos melhores? Não temos a inteligência suficiente para analisar a nossa vida e tomar rumos diferentes quando necessário?
Penso que temos essa inteligência, mas o caminho mais fácil é sempre pelo que seguimos. Apercebemo-nos que algo está mal, mas dá tanto trabalho mudar...
Há quem pense que se vamos morrer porquê darmo-nos ao trabalho...Mas e se a vida depois da morte existir mesmo? Ou se for apenas uma transformação na nossa vida e não um fim? A desculpa da morte é mesmo apenas uma desculpa... Vivemos por algum motivo. Não se questionam porque motivo nasceram? O que vieram cá fazer? Claro que sim... O difícil é encontrar as respostas, por isso temos que fazer o possível para as encontrar. O papel de vítima é o mais confortável, mas também o mais cobarde. Talvez pareça falar por falar. Confesso que também eu tenho que percorrer esse caminho, estou apenas a relatar ou a tentar relatar o meu ponto de vista.
Deixo aqui este pensamento, talvez um pouco mal estruturado e incompleto, mas por agora fica assim.
Responde-me
Lua que emerges da escuridão da noite,
Vês-me na janela com olhar melancólico?
Nevoeiro que escondes tudo em teu redor,
Vês-me a caminhar na confusão?
Frio que congelas sentimentos,
Não me vês a sofrer em caminhos vazios?
Não me vês Natureza anciando por tudo e nada?
Não sentes meus desejos estranhos?
Não percebes que quero o que não posso?
Não vês que não me vejo?
Não me encontro...
Não me sinto...
Já não sinto o sufoco na garganta
Nem o ardor no peito a que me habituei
Já não ouço aquela voz
Nem o grito mudo no escuro
Onde está a dor?
Que foi feito de mim?
Vês-me na janela com olhar melancólico?
Nevoeiro que escondes tudo em teu redor,
Vês-me a caminhar na confusão?
Frio que congelas sentimentos,
Não me vês a sofrer em caminhos vazios?
Não me vês Natureza anciando por tudo e nada?
Não sentes meus desejos estranhos?
Não percebes que quero o que não posso?
Não vês que não me vejo?
Não me encontro...
Não me sinto...
Já não sinto o sufoco na garganta
Nem o ardor no peito a que me habituei
Já não ouço aquela voz
Nem o grito mudo no escuro
Onde está a dor?
Que foi feito de mim?
domingo, outubro 03, 2004
Perdi-me
Perdi-te há muito tempo.
Já não te vejo,
Não te ouço,
Nem te sinto.
Duvido da tua existência.
Foste imaginação, sonho, fantasia?
Alguma vez te senti?
Que foste tu?
Porque desapareceste?
Desejo-te, mas não te conheço mais.
Foste feita para mudar?
Foste feita para desaparecer?
Serás para sempre diferente?
Tenho saudades de algo que já não conheço.
Querer-te-ei eu de volta?
Amar-te-ei agora neste presente?
As dúvidas percorrem-me.
Serás tu, memória escondida,
Um escape ao meu presente?
Serás algo criado por mim
Apenas como refúgio?
Serás desculpa, razão?
Quero-te mas esqueço-te...
Já não te vejo,
Não te ouço,
Nem te sinto.
Duvido da tua existência.
Foste imaginação, sonho, fantasia?
Alguma vez te senti?
Que foste tu?
Porque desapareceste?
Desejo-te, mas não te conheço mais.
Foste feita para mudar?
Foste feita para desaparecer?
Serás para sempre diferente?
Tenho saudades de algo que já não conheço.
Querer-te-ei eu de volta?
Amar-te-ei agora neste presente?
As dúvidas percorrem-me.
Serás tu, memória escondida,
Um escape ao meu presente?
Serás algo criado por mim
Apenas como refúgio?
Serás desculpa, razão?
Quero-te mas esqueço-te...
quinta-feira, setembro 30, 2004
Melancolia
Trago em mim o sabor amargo da melancolia...
A leve sombra do passado, presente e futuro...
Trago em mim o que necessito...
Trago em mim o desconhecido...
Sinto-me perdida...
Mergulhada...
Escondida...
Sombria e fria...
Vazia e preenchida
Do que não quero e do que desejo...
Assemelho-me ao chão que tanto me repugna...
Sem forças...
Sem vontade...
Sem coragem...
Permaneço, assim, estendida...
Sim, sou masoquista...
Gosto do meu sofrimento...
Faz-me sentir viva...
Desperta-me...
A saudade da dor invade-me
Quando um ligeiro sorriso percorre meus lábios...
Fecho os olhos...
Mergulho novamente na melancolia do meu ser.
A leve sombra do passado, presente e futuro...
Trago em mim o que necessito...
Trago em mim o desconhecido...
Sinto-me perdida...
Mergulhada...
Escondida...
Sombria e fria...
Vazia e preenchida
Do que não quero e do que desejo...
Assemelho-me ao chão que tanto me repugna...
Sem forças...
Sem vontade...
Sem coragem...
Permaneço, assim, estendida...
Sim, sou masoquista...
Gosto do meu sofrimento...
Faz-me sentir viva...
Desperta-me...
A saudade da dor invade-me
Quando um ligeiro sorriso percorre meus lábios...
Fecho os olhos...
Mergulho novamente na melancolia do meu ser.
quarta-feira, setembro 29, 2004
Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê.
Fernando Pessoa
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê.
Fernando Pessoa
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