Queixamo-nos do sofrimento, mas conseguimos viver sem ele? É mais um sentimento que nos faz sentir vivos. É talvez o sentimento que conhecemos melhor. Mas digam lá se não devemos agradecer tanto sofrimento.. É através dele que aprendemos a maior parte das coisas na nossa vida. Podem-nos avisar com todo o amor que uma certa coisa nos prejudica, mas só conseguimos perceber esse prejuizo quando o sentimos "na pele". Digam a um puto pequeno que se puser os dedos na tomada vai apanhar um choque.. ele fica a pensar o que será um choque, então lá vai ele descobrir e a partir do momento em que o sentiu, passou a saber o que é, e se por acaso não gostou, não vai voltar a fazê-lo.
Acham mesmo que evoluimos a partir do amor? Eu não. Somos demasiado preguiçosos e, numa palavra menos específica, "burros", para evoluirmos sem sofrer. Basta ver que fazemos bastantes borradas, sofremos as consequências desses actos, mas no minuto a seguir somos capazes de fazer o mesmo. Não é uma situação digna de um abanão?
Nós que somos tão inteligentes...Não temos a capacidade de perceber que se escolhermos seguir por um certo caminho que nos leva a consequências desastrosas, esse caminho não é dos melhores? Não temos a inteligência suficiente para analisar a nossa vida e tomar rumos diferentes quando necessário?
Penso que temos essa inteligência, mas o caminho mais fácil é sempre pelo que seguimos. Apercebemo-nos que algo está mal, mas dá tanto trabalho mudar...
Há quem pense que se vamos morrer porquê darmo-nos ao trabalho...Mas e se a vida depois da morte existir mesmo? Ou se for apenas uma transformação na nossa vida e não um fim? A desculpa da morte é mesmo apenas uma desculpa... Vivemos por algum motivo. Não se questionam porque motivo nasceram? O que vieram cá fazer? Claro que sim... O difícil é encontrar as respostas, por isso temos que fazer o possível para as encontrar. O papel de vítima é o mais confortável, mas também o mais cobarde. Talvez pareça falar por falar. Confesso que também eu tenho que percorrer esse caminho, estou apenas a relatar ou a tentar relatar o meu ponto de vista.
Deixo aqui este pensamento, talvez um pouco mal estruturado e incompleto, mas por agora fica assim.
quarta-feira, outubro 13, 2004
Responde-me
Lua que emerges da escuridão da noite,
Vês-me na janela com olhar melancólico?
Nevoeiro que escondes tudo em teu redor,
Vês-me a caminhar na confusão?
Frio que congelas sentimentos,
Não me vês a sofrer em caminhos vazios?
Não me vês Natureza anciando por tudo e nada?
Não sentes meus desejos estranhos?
Não percebes que quero o que não posso?
Não vês que não me vejo?
Não me encontro...
Não me sinto...
Já não sinto o sufoco na garganta
Nem o ardor no peito a que me habituei
Já não ouço aquela voz
Nem o grito mudo no escuro
Onde está a dor?
Que foi feito de mim?
Vês-me na janela com olhar melancólico?
Nevoeiro que escondes tudo em teu redor,
Vês-me a caminhar na confusão?
Frio que congelas sentimentos,
Não me vês a sofrer em caminhos vazios?
Não me vês Natureza anciando por tudo e nada?
Não sentes meus desejos estranhos?
Não percebes que quero o que não posso?
Não vês que não me vejo?
Não me encontro...
Não me sinto...
Já não sinto o sufoco na garganta
Nem o ardor no peito a que me habituei
Já não ouço aquela voz
Nem o grito mudo no escuro
Onde está a dor?
Que foi feito de mim?
domingo, outubro 03, 2004
Perdi-me
Perdi-te há muito tempo.
Já não te vejo,
Não te ouço,
Nem te sinto.
Duvido da tua existência.
Foste imaginação, sonho, fantasia?
Alguma vez te senti?
Que foste tu?
Porque desapareceste?
Desejo-te, mas não te conheço mais.
Foste feita para mudar?
Foste feita para desaparecer?
Serás para sempre diferente?
Tenho saudades de algo que já não conheço.
Querer-te-ei eu de volta?
Amar-te-ei agora neste presente?
As dúvidas percorrem-me.
Serás tu, memória escondida,
Um escape ao meu presente?
Serás algo criado por mim
Apenas como refúgio?
Serás desculpa, razão?
Quero-te mas esqueço-te...
Já não te vejo,
Não te ouço,
Nem te sinto.
Duvido da tua existência.
Foste imaginação, sonho, fantasia?
Alguma vez te senti?
Que foste tu?
Porque desapareceste?
Desejo-te, mas não te conheço mais.
Foste feita para mudar?
Foste feita para desaparecer?
Serás para sempre diferente?
Tenho saudades de algo que já não conheço.
Querer-te-ei eu de volta?
Amar-te-ei agora neste presente?
As dúvidas percorrem-me.
Serás tu, memória escondida,
Um escape ao meu presente?
Serás algo criado por mim
Apenas como refúgio?
Serás desculpa, razão?
Quero-te mas esqueço-te...
quinta-feira, setembro 30, 2004
Melancolia
Trago em mim o sabor amargo da melancolia...
A leve sombra do passado, presente e futuro...
Trago em mim o que necessito...
Trago em mim o desconhecido...
Sinto-me perdida...
Mergulhada...
Escondida...
Sombria e fria...
Vazia e preenchida
Do que não quero e do que desejo...
Assemelho-me ao chão que tanto me repugna...
Sem forças...
Sem vontade...
Sem coragem...
Permaneço, assim, estendida...
Sim, sou masoquista...
Gosto do meu sofrimento...
Faz-me sentir viva...
Desperta-me...
A saudade da dor invade-me
Quando um ligeiro sorriso percorre meus lábios...
Fecho os olhos...
Mergulho novamente na melancolia do meu ser.
A leve sombra do passado, presente e futuro...
Trago em mim o que necessito...
Trago em mim o desconhecido...
Sinto-me perdida...
Mergulhada...
Escondida...
Sombria e fria...
Vazia e preenchida
Do que não quero e do que desejo...
Assemelho-me ao chão que tanto me repugna...
Sem forças...
Sem vontade...
Sem coragem...
Permaneço, assim, estendida...
Sim, sou masoquista...
Gosto do meu sofrimento...
Faz-me sentir viva...
Desperta-me...
A saudade da dor invade-me
Quando um ligeiro sorriso percorre meus lábios...
Fecho os olhos...
Mergulho novamente na melancolia do meu ser.
quarta-feira, setembro 29, 2004
Isto
Dizem que finjo ou minto
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê.
Fernando Pessoa
Tudo o que escrevo. Não.
Eu simplesmente sinto
Com a imaginação.
Não uso o coração.
Tudo o que sonho ou passo,
O que me falha ou finda,
É como que um terraço
Sobre outra coisa ainda.
Essa coisa é que é linda.
Por isso escrevo em meio
Do que não está ao pé,
Livre do meu enleio,
Sério do que não é.
Sentir? Sinta quem lê.
Fernando Pessoa
terça-feira, setembro 28, 2004
sábado, setembro 25, 2004
Introdução
Queria fazer deste blog o meu espaço de recolhimento e reflexão. Mas porquê fazê-lo aqui e não num caderno, como já tenho vindo a fazer? Porquê expôr os meus pensamentos a olhares curiosos? Sabendo que estou sujeita a críticas exteriores porquê criar este blog?
Pensei várias vezes na hipótese de não o fazer, mas considerei o facto das críticas feitas pelos outros serem proveitosas para a remodelação das minhas opiniões. Penso que é necessário considerar várias opiniões e diferentes conhecimentos para podermos criar melhor um ponto de vista, além de ter a vantagem da minha escrita não ficar enterrada num caderno perdido no meio de tantos outros...Dou assim "asas" à minha opinião duma maneira diferente. Não pretendo escrever textos bonitos, mas apenas tentar ser o mais verdadeira possível nas minhas palavras.
Não sei bem qual o objectivo deste blog, estas são ideias vagas do que queria que ele fosse. Quando não tiver a gostar não volto a pôr cá os dedos.
E deixo assim a minha introdução neste blog, espero ter a disposição suficiente para voltar a escrever aqui.
Pensei várias vezes na hipótese de não o fazer, mas considerei o facto das críticas feitas pelos outros serem proveitosas para a remodelação das minhas opiniões. Penso que é necessário considerar várias opiniões e diferentes conhecimentos para podermos criar melhor um ponto de vista, além de ter a vantagem da minha escrita não ficar enterrada num caderno perdido no meio de tantos outros...Dou assim "asas" à minha opinião duma maneira diferente. Não pretendo escrever textos bonitos, mas apenas tentar ser o mais verdadeira possível nas minhas palavras.
Não sei bem qual o objectivo deste blog, estas são ideias vagas do que queria que ele fosse. Quando não tiver a gostar não volto a pôr cá os dedos.
E deixo assim a minha introdução neste blog, espero ter a disposição suficiente para voltar a escrever aqui.
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